Eu nunca amei alguém

(Foto: César Greco / Fotoarena)

O que se sente por pai e mãe é alguma coisa inominável e incontrolável. Aqui, falo de outro tipo de sentimento. O que você adquire, você aprende, você sente gradativamente. Às vezes, chega arrebatador. Outras, chega discreto, sorrateiro. No fim, eles vão na mesma direção, a do amor. Amor esse que briga, que chora, que se irrita e depois ama de novo. Ao menos é como descrevem. Eu nunca conheci.

De cabelos castanhos ou avermelhados, de salto alto ou um tênis qualquer. Dos cabelos longos aos mais curtinhos. O meu único amor não se personifica. Talvez se compreenda em momentos, em dias, em representantes. O único sentimento verdadeiro com o qual lidei mora no coração de quem o ama, ainda que receba a todos nós em uma casa bonita, imponente e campeã desde que nasceu.

Eu não entendi direito quando é que eu me apaixonei por você, mas cresci sabendo que te amava. Nunca soube o que me fez ser louco por você, mas o que importa saber? É só lembrar dos meus dias mais felizes e dos mais tristes. Em todos, o protagonismo é seu. Quando chorei copiosamente de alegria, estava te assistindo. Quando chorei copiosamente de raiva, estava vendo você. Quando quase morri, mesmo, foi por medo de te perder.

Quando a gente briga, dois minutos depois já quer um reencontro. Quando a gente se vê, já planeja a próxima vez. Se tá longe, dá um jeitinho. Gasta o que tem, e o que não tem, pra ficar mais perto. Pra te exaltar, brigo com o mundo. Na rua, na lua, na NASA ou em casa, nosso compromisso é eterno. Troco qualquer outro plano, qualquer outra coisa ou pessoa, por você. E se ousarem te questionar, o azar é sempre de quem ousou.

Perdoem-me os apaixonados, os que tem alguém que acelere o coração, mas o meu só muda de frequência quando tem bola em jogo. Perdoem-me por desabonar o dia em que vocês se declaram a uma pessoa, mas eu só sei me declarar por duas cores e uma sigla. Perdoem-me, também, por desacreditar no amor entre duas pessoas, mas enquanto houver o Palmeiras no mundo, ele será meu único amor.