COLETIVA

Abel Ferreira comemora vitória do Palmeiras e comenta calendário: 'É desumano o que fazem com os jogadores'

Treinador fala sobre quantidade de jogos do Verdão no mês e destaca valorização de atletas

O técnico Abel Ferreira, da SE Palmeiras, em jogo contra a equipe do Mirassol FC, durante partida válida pela sexta rodada, do Campeonato Brasileiro, Série A, na arena Allianz Parque. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)
O técnico Abel Ferreira, da SE Palmeiras, em jogo contra a equipe do Mirassol FC, durante partida válida pela sexta rodada, do Campeonato Brasileiro, Série A, na arena Allianz Parque. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)

O Palmeiras venceu o Mirassol por 1 a 0, em jogo realizado no Allianz Parque, pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro. O Alviverde voltou a atuar em seu estádio após mais de quatro meses, devido a troca do gramado sintético. Flaco López marcou o gol do Verdão na partida.

Para partida, o Verdão entrou com mudanças no time titular. Ainda sem Vitor Roque, Abel promoveu a volta de Maurício ao time titular, após o camisa 18 se recuperar de um ferimento no pé. Nas laterais, Giay entrou no lugar de Khellven, já Arthur foi o escolhido para o lugar de Piquerez, que segue sendo poupado pela comissão técnica.

Fala, Abel!

Evolução do time

— O segredo é evoluir todos os anos. Depois de um período vencedor, terminou um ciclo. O ano passado foi bom, não excelente porque não ganhamos, mas chegamos à final. É preciso valorizar todo o trabalho na Libertadores, no Paulistão e no Brasileirão. Sabemos das condições que tivemos. Lembro muito bem do que se passou no ano passado no campeonato: árbitros com medo e jogos em que atuamos sem jogadores da seleção.

— Mesmo assim, disputamos tudo até o fim e estamos sendo consistentes. É normal a valorização. O Flaco custou 8 e hoje vale 50. O Roque custou 50. O Allan vale entre 30 e 40. O Palmeiras é a equipe mais valiosa, não porque contratamos, mas porque trabalhamos para valorizar os jogadores.

— Assim aconteceu também com o Maurício, que agora foi chamado para a seleção. No final, tudo isso se soma. Estou feliz pela consistência. Foram oito jogos em trinta dias. Os dois últimos em campos pesados, horríveis. Quero dar os parabéns ao Palmeiras e à WTorre. Temos um gramado top. A bola rola no chão.

Palmeiras com dificuldade para crias chances

— Podem buscar Messi, Ronaldo… façam o que fazemos aqui. Não é só o Palmeiras, é para o bem do futebol brasileiro. Infelizmente, por termos ido à final, outras equipes estavam a se recuperar. Quantos lesionados tivemos depois da final? Quantos jogadores condicionados?

— Por que o Piquerez não joga? É inacreditável o que fazem com os jogadores aqui. O Mirassol fez três jogos nos últimos trinta dias. O Palmeiras fez oito. E os dois últimos em campos inacreditáveis. Sabem qual é a diferença entre a grama brasileira e a europeia? Ela é lenta. A grama é lenta, os jogadores não se recuperam e o jogo fica lento.

— Fica desigual: uma equipe leve, descansada, com três jogos, e outra com jogadores melhores, mas muito mais desgaste. Essa responsabilidade não é minha. Isso interfere no resultado. Contra o Mirassol eles tiveram um dia a mais de descanso. Contra o Botafogo também. Contra o São Paulo também.

— O ideal seriam três dias obrigatórios de descanso. Eu gosto do Palmeiras e gosto de estar aqui, mas sempre vou dizer o que penso. Será que é possível ter um calendário igual ao europeu aqui? Coisas difíceis são para pessoas organizadas. Depois da vitória contra o Novorizontino, nem tivemos tempo para celebrar. Fomos jogar contra uma equipe que teve 11 dias para se preparar. Fizemos um bom primeiro tempo, mas na segunda parte sofremos.

Jhon Arias está bem fisicamente?

— Vocês estão esperando que eles resolvam todos os nossos problemas. É um jogador experiente, de Libertadores. Há três anos praticamente não tem descanso. Sai do Brasil para a Europa e depois volta. O Felipe passou pelo mesmo. Bateu recordes na Itália e aqui teve problemas de lesão.

— Se ouvirem mais os jogadores, vão entender. Jogamos no sul com 10 graus e no norte com 35. Se queremos dinâmica e velocidade, eles podem correr, mas vemos o cansaço nas decisões. Quando o Andreas está fresco, ele cruza a bola perfeita para dentro da área. Não manda no terceiro anel.

— O Arias é um jogador top. Precisa continuar fazendo o que sabe e se adaptar. Isso não é PlayStation. O importante é que ele está conosco. Estávamos numa boa sequência com a mesma equipe, mas tivemos três lesionados e quatro condicionados. Hoje o importante eram os três pontos. Uma equipe campeã joga bem e ganha. Joga mal e ganha também.

Palmeiras precisa de reforços?

— Acham que preciso? (risos) Se não houver lesões, está tudo certo. Se houver lesões, já era. Sem lesões estava tudo bem. Agora, sem alguns jogadores, viram como ficamos. Tudo isso com dois dias para recuperá-los, sem Murilo, Maurício e sem Vitor Roque. Mas estamos bem.

E agora?

Após a vitória no Allianz Parque, o Verdão para sua casa na próxima quarta-feira (18), às 19h (de Brasília), em jogo diante do Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro.

Cauã Campana

Palmeirense de berço, cubro o Palmeiras desde os 15 anos de idade. Tenho um perfil (@verdeimponente) com mais de 50 mil seguidores. Estou tendo, no Nosso Palestra, minha primeira experiência com jornalismo esportivo.

Palmeirense de berço, cubro o Palmeiras desde os 15 anos de idade. Tenho um perfil (@verdeimponente) com mais de 50 mil seguidores. Estou tendo, no Nosso Palestra, minha primeira experiência com jornalismo esportivo.