VALORES

Palmeiras recebeu R$ 24,6 milhões da Fictor antes de rescindir contrato; valor devido está na recuperação judicial

Verdão rescindiu contrato com empresa no início de 2026 após pedido de recuperação judicial

O Palmeiras recebeu R$ 24.666.666,59 líquidos da Fictor durante o período em que o grupo patrocinou o clube. O valor representa o montante efetivamente pago à Sociedade Esportiva Palmeiras até a rescisão do acordo.

A parceria começou em março de 2025. O contrato previa inicialmente R$ 25 milhões fixos mais R$ 5 milhões em bônus por temporada, com duração de três anos e possibilidade de extensão por mais uma temporada.

O acordo, entretanto, chegou ao fim antes do previsto. Em 2 de fevereiro de 2026, o Palmeiras anunciou oficialmente a rescisão em razão do inadimplemento contratual e do pedido de recuperação judicial realizado pelo Grupo Fictor. Na ocasião, o clube informou que estudava as medidas legais para receber os valores devidos.

Quanto a Fictor ainda deve ao Palmeiras?

O processo de recuperação judicial traz o Palmeiras entre os credores da Fictor. A relação apresentada no início do procedimento apontou um crédito de aproximadamente R$ 2,6 milhões relacionado ao mês de janeiro de 2026.

A diferença representa, portanto, a parcela do contrato que não havia sido paga e que passou a ser discutida dentro do processo de recuperação judicial.

Recuperação judicial da Fictor

O Grupo Fictor protocolou o pedido de recuperação judicial em fevereiro de 2026, declarando aproximadamente R$ 4,2 bilhões em dívidas. O pedido envolve a Fictor Holding e a Fictor Invest.

Em abril, a Justiça de São Paulo deferiu o processamento da recuperação judicial. A partir daí, a empresa passou a seguir o procedimento previsto na Lei 11.101/2005 para reorganizar suas dívidas.

Um dos pontos centrais é o Plano de Recuperação Judicial. Pela legislação, o plano deve apresentar os meios que serão utilizados para recuperar a empresa, demonstrar sua viabilidade econômica e trazer informações sobre seus ativos e situação financeira.

Os credores podem apresentar objeções ao plano e, conforme o caso, participar da Assembleia Geral de Credores. Se o plano for aprovado nas condições previstas em lei e posteriormente homologado pela Justiça, ele passa a estabelecer as condições para pagamento dos créditos sujeitos à recuperação.

No caso da Fictor, o próprio grupo informa que o plano foi apresentado em junho de 2026 e que a Assembleia Geral de Credores está prevista para outubro.

Palmeiras terá de acompanhar o plano da Fictor

Com o crédito submetido à recuperação judicial, o Palmeiras passa a depender do andamento do processo para saber as condições e o cronograma de eventual recebimento do valor reconhecido.

Isso não significa, necessariamente, que o clube deixou de ter direito ao crédito. Significa que o pagamento segue as regras do processo e, posteriormente, as condições estabelecidas no plano de recuperação judicial que vier a ser aprovado e homologado.

A própria Fictor explica que os pagamentos aos credores seguem as condições e os prazos previstos no plano após sua homologação judicial.

O processo, portanto, transforma uma cobrança individual em uma negociação coletiva envolvendo os diversos credores da companhia.

Por que a parceria terminou?

O Palmeiras anunciou a rescisão em 2 de fevereiro de 2026, no mesmo contexto em que a Fictor apresentou o pedido de recuperação judicial.

Na nota divulgada pelo clube, a Sociedade Esportiva Palmeiras apontou inadimplemento contratual e o pedido de recuperação judicial como motivos para o encerramento da parceria, além de informar que estudava as providências legais para buscar os valores devidos.

A Sociedade Esportiva Palmeiras informa a rescisão do contrato de patrocínio com a Fictor, em razão de inadimplemento contratual e do pedido de recuperação judicial realizado pelo grupo, conforme previsto no acordo pactuado entre as partes em março de 2025. O clube estuda as providências legais cabíveis para o recebimento dos valores devidos pela Fictor.

A crise da Fictor ganhou dimensão pública após a tentativa de aquisição do Banco Master, anunciada em novembro de 2025. Posteriormente, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco. A Fictor afirmou, ao pedir recuperação judicial, que a repercussão do episódio contribuiu para um descompasso em seus fluxos operacionais.