Ary Borges sobre tabu no futebol feminino: ‘Não aguentamos mais’

A vida de Ary Borges teve algumas mudanças positivas nas últimas semanas. Ela recebeu a sua primeira convocação para a Seleção Principal e, na última partida contra o Avaí/Kindermann, recebeu a faixa de capitã do Palmeiras. Mas nem tudo sempre foi um mar de rosas na vida da camisa 8. No começo de 2020, a meio de campo sofreu na sua saída do São Paulo. 

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Mesmo sendo águas passadas, ainda há quem critique a atleta por ter escolhido o melhor para a sua carreira. O que Ary queria era um futuro promissor, algo que o Palmeiras ofereceu a ela. 

“Na minha visão, você sempre quer melhoras para você, acho que foi isso que me fez escolher o Palmeiras. É um time que tem um projeto ambicioso, falo em estrutura, organização, montagem de elenco e em tudo. O Palmeiras me apresentou um projeto muito grande”, afirma Ary ao NOSSO PALESTRA.

Aos 20 anos, a jogadora natural do Maranhão utiliza sua voz dentro das redes sociais para levantar algumas bandeiras necessárias. Ary Borges é uma atleta que não leva desaforo para casa. Dentro e fora de campo, ela gosta das coisas certas e luta por isso.

“Olhar para trás e ver tudo que passei para estar onde estou agora, me motiva. Me faz lembrar de onde eu vim, manter o pé no chão e nunca perder minha essência, quem é a Ary”.  

Como mulher, negra, maranhense e jogadora de futebol, ela vivenciou o preconceito na sua vida. Caçoavam dela pelo sotaque e também por jogar futebol. 

“Me vejo como alguém que pode influenciar pessoas, opiniões. É preciso saber que existem causas que estão além da Ary atleta, figura pública. Eu lutaria independentemente de ser o que sou hoje, ser exemplo. Eu sempre vou estar lutando contra qualquer tipo de preconceito que possa existir”. 

Seu caminho no futebol feminino!

“No primeiro dia eles não me escolheram para o time. Devem ter pensado que por ser menina, não jogava bem”.

E foi assim que Ary Borges começou seu futebol, com os meninos, como a maioria das atletas do futebol feminino. Porém, a meio de campo tinha o apoio da família. Aos 10 anos, seu pai a levou na sede dos Meninos da Vila, escolinha do Santos na Vila Mariana. 

Naquele momento, Ary e o pai viram a realidade do futebol quando foi preciso insistir para a permanência dela, por ser menina, no caso, a única.

“Meu pai foi o meu maior incentivador, junto com minha mãe. No começo, ele não acreditou muito, mas desde que me viu jogando, ele sempre falou vai. Foi o ‘louco’ que topou me colocar junto com os meninos”.

O tabu no esporte sempre esteve presente, mas ela conseguiu espaço dentro dele dando o melhor, jogando bola. Na trajetória, a jogadora teve uma passagem pelo Centro Olímpico, a maior base do futebol feminino no Brasil. Ela entrou no sub-15 com apenas 11 anos. Foi selecionada junto com outras quatro meninas entre 90. 

A meio de campo tem uma história com o pai em relação ao Centro Olímpico.

“Com 11 anos, ele me colocou dentro do ônibus e falou que ia me ensinar uma vez só como eu chegava até o treino. Chegou a bater boca com a minha mãe por causa disso”.

Ela conta que as pessoas do Centro Olímpico mudaram a vida dela. Ary coloca como uma das fases mais importantes, quando foi moldada como atleta e pessoa. 

Após passar por todas as categorias de base dentro do time, Ary foi para o Sport, em 2017. Ela ficou no time por dois anos, até chamar atenção do São Paulo, onde jogou por uma temporada. 

Ela é destaque por onde passa. A jogadora domina o meio de campo, chamando atenção na Seleção Sub-20 e agora da técnica Pia Sundhage. 

Ary ainda batalha por muitas coisas fora de campo. O tabu é imenso, mesmo que as coisas venham melhorando no futebol feminino.

“É uma questão muito chata a mulher no futebol ser um tabu, nenhuma de nós aguentamos mais. Mas é algo que a gente vive, que dificulta nosso começo. O que realmente me motiva a estar no meio do futebol é poder dar o melhor para minha família. Eles sempre me ajudaram, deram apoio”, falou. 

O futuro de Ary

Para os próximos anos, a jogadora só quer realizar seus sonhos e ser feliz, seja daqui 10 anos ou no resto de sua vida. Títulos estão nessa lista de desejos, mas a garra e determinação da jogadora incrementam as conquistas. Atualmente, Ary Borges deposita toda a competitividade no Palmeiras e no sangue. O verde e o branco pulsam!

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