Mauro Beting: ‘Agenda de shows no Allianz: Maroon 5, Palmeiras 4 x 0 São Paulo’

Avanti, Palestra. A 24 Paulistas, Palmeiras!

Era impossível o Palmeiras ganhar um jogo contra o São Paulo em Libertadores. E teve gol do Veiga. Golaço do Dudu. Gol do PK. Três a zero. Classificado para ser tri da América. Em confrontos ainda mais complicados contra rivais ainda mais qualificados em 2021. Com esse mesmo elenco multicampeão. Com sede de vitória em qualquer sede. Com fome de caneco em qualquer competição. Com coração e cabeças cálidas.

Era impossível o Palmeiras aguentar em casa a pressão do time vermelho, branco e preto milionário na semifinal. Foi possível superar. E ser mais uma vez campeão na Libertadores de 2020.

Relacionadas

Conheça o canal do Nosso Palestra no Youtube! Clique aqui.
Siga o Nosso Palestra no Twitter e no Instagram / Ouça o NPCast!
Conheça e comente no Fórum do Nosso Palestra

Era difícil superar em casa um São Paulo embalado que havia vencido o jogo de ida com arbitragem ruim. Mas havia um vencedor como Luxemburgo no banco, um mago em campo, um Palmeiras classificado para a final em que conquistaria a maior goleada de uma decisão paulista, em 2008.

Era difícil ser campeão no estádio do rival. E foi bicampeão brasileiro em 1973. Era difícil superar a arbitragem horrível da final de 1971 do Paulista. E a Segunda Academia foi campeã invicta em 1972. Contra um vice também invicto.

Mais difícil para o Palmeiras era superar o governo ditatorial que obrigou a mudar o Palestra duas vezes de nome. Era defender a essência e o patrimônio também ameaçado em 1942. Era proibido levar a bandeira brasileira na Arrancada Heroica para dentro de campo. Foi proibido pela mesma polícia o rival deixar o campo quando o jogo que não acabou estava 3 a 1.

É muito difícil reverter 80 anos depois contra um rival de história, de nível, de conquistas, de respeito que nem sempre foi recíproco, e com uma vantagem considerável.

Mas tudo que o Palestra, o Palmeiras, esse elenco e essa comissão técnica já superaram adversidades e adversários, mais uma decisão não é desafio. É um encontro com a história.

É um encanto quando nossa voz ficará a final toda cantando que somos Palmeiras, sim. Senhor do nosso canto.

Avanti, Palestra.
A 24 Paulistas, Palmeiras!

(Este foi meu texto no domingo pela manhã. No meu Instagram. Que é tão do Mauro há 55 anos como é o Palmeiras. O que me faz ser jornalista esportivo há 31. Quando em 1990 o Palmeiras nada ganhava desde 1976. Quando o Corinthians ganhou o primeiro Brasileiro. Um ano antes de o São Paulo de Telê ganhar o terceiro. E mais um Paulista. E no outro ano a primeira Libertadores tricolor, em 1992. O primeiro Mundial. E, no domingo seguinte, ser bi paulista contra o Palmeiras no primeiro Paulista com a Parmalat. A primeira final desde 1986.

A minha última final como torcedor de arquibancada antes deste domingo. Quando fiquei com a família e amigos vendo o jogo que minha hérnia de disco me tirou da escala de TV e rádio.

Neste 3 se abril de celebração dos 80 anos de Ademir da Guia. 80 anos da Arrancada Heroica no Paulista de 1942. Quando o Palestra morreu líder, e o Palmeiras nasceu campeão. Quando o rival quis deixar o campo aos 20 do segundo tempo. Quando perdia por 3 a 1 e tinha Virgílio expulso.

A polícia não deixou o São Paulo deixar o campo no Pacaembu. O Tricolor ficou até o apito final em 1942 dentro da própria área. Esperando a desgraça final e esperada.

Parecia o time de Rogério Ceni na finalíssima do SP-22, no Allianz Parque. Depois de fazer um grande segundo tempo na ida, vencendo merecidamente por 3 a 1 (e podia ter sido mais, mesmo com o pênalti mal marcado na primeira etapa), o São Paulo pareceu o de 80 anos no Pacaembu. Quis deixar o gramado sem jogar. Desde a primeira bola, foram 11 limitados Jandrei fazendo cera. Antijogo. A ponto de o goleiro são-paulino ter ficado mais tempo encerando a bola do que qualquer um de seus assustados e amuados companheiros tentando acabar o jogo sem o jogar.

O São Paulo teve dois lances de gol no segundo tempo. Dois tiros pra fora da meta do paredão campeoníssimo Weverton. Só. O momento mais agressivo do São Paulo foi Calleri dando um tapa num celular de um jovem palmeirense ao deixar o estádio.

Fosse um sub-5 o goleiro palmeirense e daria na mesma dentro de campo. Fosse um sub-abaixo-de-zero e a atuação são-paulina teria sido menos horripilante e vexatória. De tanto praticar o antijogo o Tricolor fez o WO que tentara sem conseguir em 1942.

Resultado: a maior goleada numa decisão entre grandes desde 1902 no Paulistão.

Quatro que só não foi cinco ou mais porque o time de Abel abusa da estratégia de dar a bola e campo ao rival. Como fez depois do golaço que foi o terceiro. Até marcar o quarto quando retomou a bola lá na frente, aos 35 finais.

Quando o jogo acabou como o campeonato nos melhores pés. Melhor campanha. Melhor quase tudo. E que só não foi ainda maior desde o início do Choque-Rei por Raphael Claus não compensar o pênalti do Morumbi com outro pênalti de queimada que o VAR brasileiro insiste em marcar.

O time de Abel não precisou. Bastou jogar seu jogo para o imenso Danilo abrir a contagem, aos 22, em jogada ensaiada de escanteio.

O Palmeiras botou a bola no chão, e o São Paulo, na roda. Explorando o absurdo talento de Dudu como ponta pela direita. Ali fez o que quis contra Wellington e criou o lance do segundo gol, aos 27. Quando Ze Rafael que chegou como Zinho em 1993 e fez 2 a 0.

Dois gols de volantes do retranqueiro Abel. Como na final da Recopa…

Não deu pra fazer mais gols no primeiro tempo. Mas, na volta do segundo tempo, quando Rogério fez o certo e escalou Arboleda no meio e Léo na lateral, Dudu e Veiga fizeram lance sensacional que acabou em golaço, a 1 minuto da segunda etapa.

Golaço que mostra que esse Palmeiras também sabe jogar bonito. Só não sabe quem não quer saber.

Não deu pra repetir o 5 a 0 da maior vitória de uma decisão paulista (em 2008). Nem repetir a maior goleada palmeirense em Choque-Rei (5 a 0 no Rio-São Paulo de 1965).

Mas deu, como torcedor que voltei a ser numa final depois de 36 anos, para sentir uma das maiores emoções da vida.

Digna de um Paulistão.
De um clássico.
Do tamanho dos clubes que são – mas só o campeão foi na finalíssima.

Em mais uma Arrancada historica para honrar a vida e arte do Divino.

Não foi 8 nem 80 anos de Palmeiras. Mas foi mais um show na semana do Palmeiras 4, Maroon 5, Abel cinco títulos.

E contando.

E também encantando.

LEIA MAIS
Abel Ferreira finda série de títulos de Luxemburgo
Palmeiras bate recorde de vitórias no Allianz Parque
Abel: ‘Fico muito feliz em fazer os outros felizes’