A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, entrou com ação de indenização por danos morais contra o conselheiro José Corona Neto por entender ter sido alvo de ataques pessoais e falas de viés machista durante reunião do Conselho Deliberativo do clube, apurou o NOSSO PALESTRA.
Na ação, distribuída à 41ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, Leila pede R$ 50 mil por danos morais e também a retratação pública do conselheiro.
A presidente sustenta que Corona ultrapassou os limites da crítica política e administrativa ao chamá-la de “perdulária”, “incompetente”, afirmar que “quem não entende de futebol tem que ficar em casa” e classificar sua gestão como “perdedora”. Para Leila, as manifestações deixaram o campo da divergência interna do clube e passaram ao ataque pessoal, com caráter ofensivo e discriminatório.
Contra-ataque da presidente do Palmeiras
O movimento ocorre antes da audiência de conciliação no processo que o próprio Corona moveu contra Leila. O conselheiro foi o primeiro a procurar a Justiça, em ação de R$ 20 mil por danos morais, na qual afirma ter sido chamado pela dirigente de “fracassado”, “covarde” e “desequilibrado” durante a mesma reunião. O processo tramita sob o nº 4004882-93.2026.8.26.0011, na 1ª Vara do Juizado Especial Cível do JEC Central/Vergueiro, sob responsabilidade do juiz Fernando Salles Amaral.
No processo movido por Corona, Leila já compareceu espontaneamente aos autos e informou não ter interesse na realização de audiência de conciliação. De forma subsidiária, pediu que, caso o ato fosse mantido, a audiência ocorresse em formato virtual, diante da animosidade entre as partes e para preservar sua intimidade. O juízo designou a audiência virtual para 18 de maio de 2026, às 16h30.
A diferença entre os caminhos escolhidos pelas partes também chama atenção. Corona levou sua reclamação ao Juizado Especial Cível, via destinada a causas de menor complexidade, com rito simplificado, atos mais concentrados e, em regra, sem condenação em honorários de sucumbência na primeira instância. Leila, por sua vez, optou pela Justiça comum, ambiente processual que comporta maior dilação probatória e permite discussão mais ampla sobre o contexto da reunião, a repercussão pública das falas, o impacto à imagem da presidente e o alegado viés de gênero.
Na petição, Leila afirma que as declarações de Corona não ficaram restritas ao ambiente interno do Conselho Deliberativo. Segundo a presidente, o episódio ganhou repercussão em veículos de imprensa, redes sociais e canais digitais, ampliando o dano à sua honra, imagem e reputação profissional.
O pedido de retratação foi formulado como obrigação de fazer. A defesa de Leila sustenta que a indenização financeira não seria suficiente para neutralizar os efeitos das declarações, já que as falas alcançaram público relevante fora do clube. Por isso, pede que Corona seja condenado a publicar retratação pública em seus canais de comunicação, com alcance proporcional ao das falas consideradas ofensivas, sob pena de multa.
A ação também sustenta que a frase “quem não entende de futebol tem que ficar em casa” não deve ser analisada como simples opinião esportiva. Para Leila, a declaração reforça a ideia de que mulheres não pertencem ao comando de instituições esportivas, em um ambiente historicamente masculinizado. A petição destaca que ela é a primeira mulher a presidir o Palmeiras em mais de um século de história.
Relembra discussão em reunião do conselho
Em dezembro de 2025, José Corona Neto, fez duras críticas ao trabalho da mandatária palmeirense na temporada, como o alto valor investido em contratações para montagem do elenco e pela possibilidade levantada da mudança de estatuto para um terceiro mandato presidencial.
Além disso, o conselheiro afirmou que Leila Pereira herdou um elenco campeão montado pelo ex-diretor Alexandre Mattos e o ex-presidente Maurício Galiotte.
Depois do discurso de José Corona, a mandatária teve o direito de resposta e afirmou que não aceitaria ser desrespeitada e que buscaria os meios legais para acionar o conselheiro na Justiça
A reunião contou com bate-boca entre a presidente do Palmeiras e José Corona Neto, que precisou ser contido por seguranças e foi retirado do evento.