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Três zagueiros, dois gols pelo alto: por que Palmeiras sofreu contra LDU?

Formação mais defensiva não impediu Verdão de ceder duas cabeçadas nos acréscimos e levar decisão da vaga para os pênaltis

Três zagueiros, dois gols pelo alto: por que Palmeiras sofreu contra LDU?

O Palmeiras chegou aos 45 minutos do segundo tempo contra a LDU vencendo por 2 a 1 e com uma vantagem de dois gols no placar agregado. Três minutos depois, havia sofrido dois gols de cabeça e precisava dos pênaltis para continuar na Libertadores.

A sequência chama atenção porque Abel Ferreira montou uma formação inicialmente preparada para proteger a defesa. O Palmeiras começou a partida com Murilo, Bruno Fuchs e Alexander Barboza como zagueiros, além de Giay e Piquerez pelos lados.

No meio-campo, Marlon Freitas, Lucas Evangelista e Andreas Pereira formaram outra linha numerosa. A proposta era diminuir espaços, controlar a pressão da LDU e administrar a vantagem construída no primeiro jogo.

Ter mais defensores, porém, não significa necessariamente defender melhor. O Palmeiras recuou, permitiu que o adversário mantivesse a posse e não conseguiu impedir a origem dos cruzamentos. Dentro da área, também falhou na distribuição das marcações e na disputa pelo primeiro contato com a bola.

Ausência de Gustavo Gómez pesou

O capitão estava suspenso e foi substituído por Bruno Fuchs. A mudança não representou apenas a troca de um zagueiro por outro.

Gustavo Gómez é a principal referência do Palmeiras na organização da área, especialmente em bolas aéreas. Além da capacidade individual, o paraguaio orienta o posicionamento da linha e costuma assumir a marcação dos adversários mais perigosos pelo alto.

Sem o camisa 15, Murilo, Fuchs e Barboza precisaram reorganizar essas responsabilidades. A LDU explorou o cenário com presença constante na área e cruzamentos em direção a Michel Estrada.

O primeiro gol equatoriano já havia exposto uma falha individual de Barboza, aproveitada por Segovia. Nos acréscimos, entretanto, o problema passou a ser coletivo.

Palmeiras protegeu a área, mas não bloqueou os cruzamentos

A formação com três zagueiros aumentou o número de jogadores próximos ao gol de Carlos Miguel, mas o Palmeiras teve dificuldade para pressionar quem carregava a bola pelos lados.

Com a equipe muito recuada, os jogadores da LDU encontraram tempo para levantar a cabeça e escolher o cruzamento. Os defensores alviverdes passaram a reagir à trajetória da bola, em vez de controlar antecipadamente os espaços.

Estrada aproveitou duas dessas situações. O atacante marcou aos 45 e aos 48 minutos do segundo tempo, ambos de cabeça, transformando uma vantagem confortável em disputa por pênaltis.

O problema, portanto, não foi simplesmente a quantidade de zagueiros. O Palmeiras falhou em três etapas:

  1. não pressionou adequadamente o responsável pelo cruzamento;
  2. perdeu a referência de Estrada dentro da área;
  3. não venceu o primeiro duelo aéreo em dois lances consecutivos.

Quando a equipe protege somente a área e deixa de controlar a origem da jogada, o bloco defensivo fica sujeito a uma sequência de cruzamentos, rebotes e segundas bolas.

Altitude e desgaste reduziram capacidade de reação

O contexto físico também interferiu. A partida foi disputada em Quito, a cerca de 2.850 metros de altitude, e o Palmeiras passou longos períodos sem controlar a posse.

Defender perto da própria área exige concentração constante e repetição de movimentos curtos e intensos. Nos minutos finais, o desgaste reduziu a capacidade do time de avançar a marcação e reorganizar rapidamente as referências dentro da área.

Ainda assim, a altitude não explica sozinha os dois gols. O Palmeiras sofreu em jogadas previsíveis, quando sabia que a LDU aumentaria a presença ofensiva e recorreria às bolas levantadas.

Classificação não elimina o alerta

A sequência levou o confronto ao empate por 3 a 3 no placar agregado. Carlos Miguel defendeu duas cobranças e garantiu a classificação do Palmeiras.

A atuação do goleiro mudou o desfecho da noite, mas não apaga o problema defensivo. O Palmeiras encontrou dificuldades justamente no cenário para o qual havia preparado sua escalação: proteger uma vantagem fora de casa.

O desafio antes da semifinal contra o Fluminense será recuperar a organização com Gustavo Gómez e corrigir a proteção dos lados. Acumular jogadores na área não será suficiente se o adversário continuar tendo liberdade para cruzar e atacar a bola.

No primeiro duelo da semifinal, o Verdão também não terá seu treinador à beira do campo. Abel Ferreira foi expulso contra a LDU e cumprirá suspensão automática.

Perguntas frequentes

Quem marcou os gols da LDU contra o Palmeiras?

Segovia marcou o primeiro, enquanto Michel Estrada fez dois gols de cabeça nos acréscimos do segundo tempo.

Por que Gustavo Gómez não enfrentou a LDU?

O zagueiro estava suspenso pelo terceiro cartão amarelo e foi substituído por Bruno Fuchs na formação titular.

Quem o Palmeiras enfrentará na semifinal da Libertadores?

O Palmeiras enfrentará o Fluminense, com o primeiro jogo no Maracanã e a decisão no Nubank Parque.