Bodas de estanho: Palmeiras 10 ou 1 a 0

Bodas de estanho: Palmeiras 10 ou 1 a 0

(Foto: Agência Estado)

Feliz do casamento que chega longe o suficiente pra dobrar a esquina da década, do décimo ano. Quando se dança a valsa de quinze anos, então, não há quem não sonhe em casar, em ter uma união feliz e longeva. É preciso tomar um enorme cuidado, no entanto, para que o carinho e o respeito não se apequenem ao longo do caminho. Quinze anos para ganhar uma festa é um bom presságio para quem ficaria dez anos sem perder uma disputa, sem sequer um revés.

Palmeiras e São Paulo carregam consigo o sobrenome de Rei. E sabemos nós que não há na história dos impérios e reinados, aquele personagem que serve de derrotado, sempre o sofrido, sempre quem passa os piores apuros, as piores dores e por mais que lute, acaba sendo a ponte para que o lado vitorioso seja coroado. Casamentos de inimigos mortais são assim, com competição. Um nunca terá sucesso ou relevância sem que exista o outro. Santo seja.

O cavalo de tróia invadiu o território tricolor com um boi de piranha bem apropriado. Quem esperaria algo do 9 que sempre sai do campo de batalha com a cabeça baixa e uma nota rasteira? A mesma pessoa que trouxe ao intento um de seus expoentes menos efetivos. É quase aquele primo que veio dançar a valsa e achou que estivesse ouvindo boate azul. Quisera o destino que ele, de quem riram esse mês, mês passado e mês retrasado, pudesse encarnar um momento histórico da internet e dissesse assim: "Ri agora!"

Como Carlos Eduardo alterou os rumos de um jogo modorrento entre rei coroado e um fragilizado soberano desempossado? Fazendo fumaça no ataque alviverde. Dudu de meia, Goulart de 9, Dudu de 9, Goular de ponta, Cadu de ponta de lança, de dribles que desmontaram a guarda (?) rival. Até que em bonita jogada com o camisa 7, o boi de piranha que de tão bonito e forte seria digno dos bodes assados do Piauí, espancou o travessão e achou a rede. Golaço do melhor do jogo.

Chefiada por Felipe Melo, a equipe de Scolari bailou defensivamente até que o apito final viesse. Com casamento em crise, o lado derrotado viu seus apoiadores xingando, discutindo e questionando como poderiam passar por aquele momento. Do lado vencedor, ainda que após minutos sonolentos e modorrentos, é preciso ver como por mais que algúem se apequene, sempre há uma mudança de planos que frutificam e perduram, como um casamento. Como algúem que completa bodas de estanho.

10 anos de soberania.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.