Inconsequência ousada demais

Inconsequência ousada demais

(Foto: Marcelo Brandão/Click Parmera)

O Palmeiras está nas quartas de final da Copa Libertadores. Vocês já sabem. Felipe Melo não está. E se avançar, como vai, ele também não deverá estar. Nem em qualquer outra competição que exija serenidade. Não mais. A idolatria mais incoerente que existe é a que se deixa comandar pela voz ao invés da atitude. E é ela que precisa ter sido extirpara do Palmeiras nesta noite passada.

Três minutos. Havia torcedor que nem na cadeira que pagou uma fortuna para estar, estava. Um estádio que ainda vibrava por ver os seus, viveram uma noite em que o resultado era todo favorável, era o melhor do mundos. Bastava ser minimamente inteligente para que nada de negativo ocorresse. Tudo, absolutamente tudo, era Palmeiras. Até os 3 minutos.

Felipe Melo em um ato de irresponsabilidade, fez o que é habitual. Quis impor respeito, sabe-se lá de onde, em qual lugar da humanidade, a conquista de moral se dá através de força excessiva, de imbecilidades, de atos descontrolados e até certo ponto doentios. Poderia ser só o bom futebol que tem. Poderia. Impôs ao Palmeiras que enfrentasse um jogo eliminatório com 10. Com nervosismo, com tensão, com a indignação de 30 e tantos mil que mal viram a bobagem cometida.

Os que ficaram, que treinaram incessantemente por esse dia, os torcedores que pagaram o que não tem, deram conta do desafio. Foram bravos, no sentido de bravura e não de braveza desmedida e inconsequente. Fizeram o que essas cores tem implícita na essência: a luta. A lealdade em disputar e vencer. Estapear alguém nunca foi a nossa índole.

Ter 9 na sala de troféus nunca foi por meio de brutalidades. Foram academias de futebol, foi o Divino. Foi o Animal, mas o que foi apelidado por jogar demais, além de falar. Não ao contrário. Foi sempre a vanguarda da técnica, da resistência, dos caras que vieram sem currículo e saíram sem espaço para mais conquistas.

Pouco importa o currículo que se tenha, as frases de efeito, a prepotência, a superioridade seletiva em momentos de glória coletiva, as vibrações descabidas em situações pouco relevantes. O menosprezo com quem perde, a selvageria com quem peleia. O Palmeiras não é o clube que abriga essas situações.

Joga-se futebol com garra, com dedicação e com segurança.

Não há empresa no mundo que mantenha o funcionário que colocou um projeto, um trabalho e um sonho, em absoluto risco. O Palmeiras segue, imensurável, ético e respeitoso. Quem não se adequar, que siga o caminho ousado da vida

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.