(Foto: Zoom Verde)

Deixar a Bélgica, no verão, sob condições climáticas, geológicas e financeiras estáveis e já conhecidas por seu cliente para botar sob-bingo e ao prazer sádico da sorte suas fichas nos Alpes Franceses, com muitos graus negativos arrepiando pelos desesperados por calor, com as problemáticas todas que envolvem chegar e se manter na neve, hospedar-se mesmo com os altos valores exigidos, não parece uma ideia aprazível.

É a tentativa de ser mais, de ter mais sucesso, de gerar para si a insegurança prazerosa de não sentir garantias prévias de sair-se bem daquele intento. O Tomorrowland, festival de música eletrônica, deixa quinze edições de retumbantes conquistas no solo belga para congelar a paz em outro canto do mundo. Porque não apenas seguir o que tudo vai bem? Porque é preciso se sentir incomodado e fechar, bem rapidinho, a janela confortável do passado.

Blogueiro indecente, você deveria falar do Palmeiras. Pois bem! Troque os termos do festival pelo do treinador pentacampeão do mundo e troque cidades por sistemas de jogo. As histórias se confundem e se completam, ainda que pareçam diametralmente opostas. Basta ampliar o ângulo.

Vá você, jornalista quase amador e profissionalmente corneta falar que Felipão precisa ser mais ofensivo, menos reativo, um pouco ousado, perder o tesão pela camisa 5. Ele de tudo sabe, pensamos de início. E, de fato, sabe.

A questão é que nosso raciocínio preguiçoso nos priva de ver o momento em que ele resolve fechar a janelinha do passado tão conquistador e abre o horizonte para um novo jeito de ganhar. Em que momento da nossa história ao lado dele pudemos ver um time em que o meia fosse ponta, o ponta fosse meia, o atacante fosse 10 e os volantes fossem exímios passadores de bola. Não éramos o time fadado à reação e a pouca inventividade?

Eles são comandantes por também saberem quando os caminhos indicam o menos comum e o menos confortável. As peças disponíveis apontaram o caminho da neve e porque não segui-lo? A première de ontem foi grande. Foi reluzente em bons aspectos, ainda que incipiente em outros tantos, mas foi luz para que se perceba que não há novidade demais nos menos vividos e de menos nos mais campeões. Em outro ritmo, talvez, mas eles também são capazes de subverter seus próprios padrões.

O Palmeiras de 2019 ainda é meio lá e meio cá. Gosta de sol, mas olha com vontade de sentir frio. É crítica quando mereceu, mas é elogio quando mostra mais. Felipão é muito maior que um texto de torcedor que faz notícia e que não mede palavras para evidenciar seu erro, mas que faz o possível para valorizar os acertos, ainda que, para ele, lá ou cá, a vitória é quase como respirar.

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