Traquinagem e mini empadão - Palmeiras 4x0 Melgar

Traquinagem e mini empadão - Palmeiras 4x0 Melgar

Não há quem ainda não tenha visto em alguma esquina, aquela placa maldita escrito: "mini empadão". Como assim, amigo? O Alê Alliati é uma das pessoas que já se indignaram com isso e já explicou a dose de perturbação que há nessa frase tão cruel com nosso sentido de lógica.

Com esse sorriso sem vergonha ao ver nossa confusão mental, o mini empadão não é um empadão, porque é pequeno, mas é um empadão porque etimologicamente é algo distinto da empadinha. O Palmeiras 2019 é um mini empadão. Com altíssimas doses de biscoito. Bolacha. Pura traquinagem.

Como assim, que bobagem é essa? Uma filosofia anti filosófica tão besta quanto o tal mini grandão. Essa versão do campeão é difícil de entender. Joga mal, mas vence. Quando perdeu, foi bem, mas questionamos o desempenho. E o resultado? Tem também. Crise mundial, mas classificado facilmente na competição mais importante. Crise? É uma exigência de empadão num contexto de mini, vocês entendem? É esperar a embriaguez em um pacote de bolachinha.

São casos perturbadores pra qualquer ideia de lógica. O desespero de Abril é um bar vazio, aquele que vende empadão velho e frio, nunca tem ninguém, é silêncio, é chato, é azul. A conquista do estadual, ou a perda dele, é o empadão. Você acha que será algo grandioso, que será representativo, que saciará. Não. Não vai. É pequeno. É mini. Ruim, rápido e muito difícil de engolir. E sobre eles, depositamos valor de guerra, de tudo ou nada, da fome saciada ou da derrota anunciada.

Palmeiras, meu caro amigo, você engasgou no mini empadão. Achou que era o suficiente, mas esbarrou no universo mini. O estadual é mini mesmo, em todos os sentidos. Jamais será uma empadão de respeito, como uma Libertadores da América ou uma Trakinas de morango com massa de chocolate. Augusto dos Anjos já sabia que a sátira é amiga e desfaz inglórias. Por um mundo menos bastardo.

Para celebrar a noite de Palmeiras que jogou como tal. Que foi boleiro e empadão e percebeu que era dia de aumentativo. De Gustavos, de Moisés. De um 11 que foi 14 e foram todos 10. O desafio não era tão grande, como a empadinha, mas é muito bom acertar 4 vezes o gol. É muito bom desfazer as inquietudes imitíeis e incólumes de uma ilusão.

Maior que uma bolacha.
Ou um mini-empadão.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.