Em um clube que vence seguidamente desde 2015, tendo já vivido tudo o que o futebol pode oferecer, fica difícil encontrar ocasiões que fascinem o coração e motivem uma entrega absoluta, de corpo e de alma, mas quando elas acontecem, recebemos uma carga monstruosa de razões para seguirmos.
O palmeirense de 2026 é um privilegiado, inegavelmente, mas ele tem um mérito enorme na sorte. O clube é muito bem gerido, o trabalho é sólido e vencedor, e quando ele tem traços de baixa, a arquibancada faz questão de subir o tom e reforçar que o lugar para se estar é sempre na cola da conquista.
Contra o Fluminense, o Alviverde tinha consigo a vantagem no placar e um adversário sem o glamour de outros, o que não causa maiores receios prévios, mas vá dizer isso ao torcedor mais desconfiado do continente. Ele recebeu seus atletas com centenas de milhares de pessoas nas ruas para carregar a delegação, na voz e na absoluta intensidade emocional.
Nesse instante, a pressão e o privilégio estão ao alcance das mãos.
Em campo, e digo isso sem saber como é jogar em alto nível, me soa impossível estar indiferente a ver um estádio abarrotado de gente gritando até que o ar falte, só pra te incentivar a vencer – que é sua profissão. E são nessas noites, aquelas, as quais chamei de raras no início do texto, que puxam a arquibancada ao limite.
Pessoalmente, relato com algum arrepio nos braços ainda persistente, que toda energia, fôlego e voz ficaram no Nubank Parque. Sobrou nada, foi até o último pingo de suor, e é aqui que tudo vale a pena. A frustração da vida some por algumas horas, a pressão de torcer é o passaporte pro privilégio de vencer. Cantar aos berros ao lado dos nossos, choramingar sorrisos e abraçar quem amamos.
No fim do dia, o futebol é isso. A linha mais tênue do mundo em 90 minutos.
