OPINIÃO

'Palmeiras segue com relógio preparado, mas corre risco de trocar pilha por corda'

Energia extra do começo de trabalho abriu espaço para objeto quase esquecido daqueles pregados na casa da avó

Abel Ferreira
Abel Ferreira durante Palmeiras e LDU (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

O Palmeiras pavimentou um caminho iniciado há mais de uma década para conquistar títulos. Gestões passadas, com palmeirenses à frente do clube, fizeram o relógio parado voltar a girar no sentido horário. Isso aconteceu antes mesmo de quem está no comando técnico e diretivo pensarem em ocupar os cargos exercidos atualmente.

O relógio a que Abel Ferreira se referiu na coletiva após a vitória sobre a LDU continua preparado. O problema é que, cada vez mais, há o interesse de substituir a pilha por um de corda. A pilha com duração extra rendeu nove títulos em três anos. E passou.

“Encontrei um relógio preparado no Palmeiras. Eu trouxe a pilha. O que é mais importante? O relógio ou a pilha? Os dois. Respeito muito a história do Palmeiras. Venceu, está a vencer e continuará a vencer quando eu sair do clube. Para mim é um orgulho muito grande poder fazer parte do livro de história do Palmeiras e fazer de um capítulo de um clube que é centenário. Falar do que é o Palmeiras a um palmeirense é desnecessário, já repeti 500 vezes”

Abel Ferreira, durante coletiva após Palmeiras e LDU

O relógio dos últimos dois anos e meio está mais para um de corda, daqueles encontrados pendurados na casa da avó. Aquele que foi bonito um dia, só que agora ocupa espaço e dá trabalho para mexer. Como poucos querem perder tempo para arrumar, ele fica lá badalando com menos força, à espera de alguém que chegue para girar a coroa e fazer com que a energia volte a ser acumulada.

Os responsáveis pelo Palmeiras de hoje não têm interesse em trocar a pilha e muito menos dar corda. Os objetivos são outros. É mais negócio ir comprar um relógio esquecido no tempo, estragado pela maresia das péssimas administrações para arrumar e chamar de seu. Não há nenhum problema nisso, porém não se vê ninguém com dois relógios no pulso. É um ou outro.

Distância

Abel Ferreira foi alertado pela comunicação do clube sobre a declaração infeliz ao pedir para o torcedor “desfrutar”. O treinador, muito bem instruído, reconsiderou as palavras, e tentou, de novo, se colocar como um palmeirense. A distância entre treinador e torcida só aumenta e, neste caso, o responsável não é o palmeirense.