RACISMO

Ex-goleiro do Palmeiras alega ter sido chamado de 'macaco' e 'preto sujo', agride adversário e tem contrato rescindido em Portugal

Cria do Verdão afirmou que imaginava que clube, que tem Vinicius Junior como acionista principal e que passou por situações similares, seria minimamente solidário à causa

Formado na base do Palmeiras, o goleiro Mateus foi negociado para o Alverca, de Portugal, em julho de 2025. A Cria da Academia estava atuando pela equipe B na Terceira Divisão do campeonato nacional.

No último domingo (11), o jovem agrediu um adversário com um soco na cabeça após o fim partida contra o FC Oliveira do Hospital e teve o contrato rescindido pelo clube português nesta terça-feira. Em nota oficial, Mateus afirma ter sido chamado de ‘macaco’ e ‘preto sujo’.

Vídeo: Reprodução

Ex-goleiro do Palmeiras se desculpa após agressão e afirma ter sido vítima de atos racistas

Em nota oficial publicada nesta terça-feira (13), Mateus afirma ter sido vítima de atos racistas e destaca que o Alverca tem Vinicius Junior como acionista principal e que imaginou que o clube ‘seria minimamente mais solidário à causa’.

Veja nota oficial:

Depois do que aconteceu nesse fim de semana, preciso vir à público para explicar exatamente o que houve.

Por volta do minuto 94 da partida, o atleta da equipe rival proferiu diversos insultos racistas para mim. Frases do tipo: “Macaco”, “Preto sujo” e “Volte pra sua terra”, entre outras coisas. Há testemunhas. Muitos viram, muitos ouviram (e todos se calaram).

Pergunto: qual a solução para isso? Aguentar calado, fazer uma denúncia que jamais teria um resultado prático, ouvir todos dizerem que “é do jogo” e deixar mais um racista seguir livremente seu caminho cometendo crimes contra outros pretos como eu? Ou quem sabe fazer um texto no Instagram, com frases bonitas, atacando os racistas e vendo ele sumir depois de 24h com milhares de “likes”? Ou simplesmente deixar passar, “é só mais um, já estou acostumado”, segue o jogo?

A agressão se manifesta por diversas formas, e nesse caso se deu por palavras e ofensas racistas. Não podemos utilizar uma atititude para justificar a outra mas, o mais importante, não podemos relativizar ou diminuir atos rascistas que se perpetuam.

São mais de 10 anos ouvindo essas mesmas coisas em campos de futebol no Brasil e fora. E ouvindo também que isso é do jogo, que faz parte, que não é por maldade. Minha atitude nasceu de “erros” dos outros. Nasceu de crimes. Nasceu porque foi a gota d’água. Depois de tanto, a mente não aguenta, o corpo não aguenta, o errado acontece.

Peço desculpas aos meus companheiros e equipe, mas imaginei que um clube como o FC Alverca seria minimamente mais solidário à causa. Devo lembrar que o acionista principal do clube se chama Vinícius Junior? Que sofreu na pele (e por conta da sua pele) tudo que passei nesse fim de semana? A ironia está nos detalhes, e uma pena que ainda somos surpreendidos por isso.

E espero que isso que aconteceu acenda um sinal de alerta para todos:

Estamos cansados de racismo.
Estamos cansados de xenofobia.
Estamos cansados de sermos vítimas diárias de um crime sem culpados, sem sentença e sem Justiça.

Estamos cansados de racistas.
Que clubes, ligas e federações ao redor do mundo entendam de uma vez que “o que acontece no campo, não pode ficar dentro do campo”, e entendam que estamos cansados.