3 razões para explicar o novo Palmeiras de Scolari

3 razões para explicar o novo Palmeiras de Scolari

Felipão é uma entidade que parece ser capaz de dissuadir em questões anímicas e apenas nelas muito de sua competência e características objetivas de um jogo de futebol. A construção de time, as alternativas, as opções. São incontáveis situações que se podem notar em um olhar meramente dedicado. E bem localizado.

O Nosso Palestra esteve no centro do estádio, em posição privilegiada para acompanhar a partida diante do Botafogo, a boa vitória por dois tentos. De lá, tirou três conclusões que podem explicar, ou tentar, os porquês de um Palmeiras que se reformulou drasticamente em menos de 10 jogos.

1. A trinca

O meio de campo do Palmeiras vinha passando por varias formatações. Desde o “moderno” modelo com 5 homens, sendo quatro alinhados e um mais recuado para a proteção defensiva até a tradicional formação com dois homens de maior poder defensivo e dois com vertentes de criação.

Felipão propôs um triângulo. Dois volantes lado a lado e um homem que recompõe essa linha no momento defensivo e que inverte suas pontas na fase de proposição. De forma mais clara, Felipe Melo e Bruno Henrique defendem lado a lado com Moisés fazendo um primeiro combate. Na hora de atacar, Felipe se posta atrás da dupla que faz a circulação de bola até os pontas.

Em momentos em que a bola é retomada, a qualidade passe que os três possuem facilita a ligação direta para a velocidade lateral. Propondo jogo, Moisés e Bruno, alternadamente, pisam na área. Dessa maneira, não se deixa desguarnecida a zaga que foi tanto criticada. Há equilíbrio entre as fases do jogo.

2. Weverton e o contra ataque

É difícil para esse jornalista compreender o porquê se criou o conceito de que o futebol precisa ser cadenciado. A bola deve seguir um fluxo natural de goleiro, lateral, volantes, meias e atacantes. Respeitosamente, discordo. Felipão, também.

O goleiro campeão olímpico, que vem em ótimo momento, usa de sua potência nas mãos para fazer uma ligação de enorme velocidade entre sua posse e um contra golpe. Foi assim que Moisés e Dudu, atravessando o campo aberto, tiveram bons lances no jogo dessa quarta. E não foram o únicos a serem abastecidos pela velocidade na reposição.

Com o pé ou com as mãos, Weverton tem sido uma ótima forma de quebrar os ferrolhos adversários. Estranho dizer isso, mas é uma realidade. Cabe ainda salientar que o controle na velocidade aplicada ao jogo, decorrente da necessidade, começa nessa posse. Com o resultado, o goleirão não faz questão nenhuma de rapazes. Nem o torcedor.

3. O jogo lateral

Isso não se refere a posições, mas a setores. Mayke, Rocha, Victor e Diogo, em suas alternâncias nas laterais do time de Luís Felipe, são pontos de segurança. A velha questão do balanço. Quando um está apoiando, o outro se resguarda. Sempre em sintonia, mantém armada a recuperação de posição para uma eventual perda de posse.

Sofre-se pouco com os contra ataques, afinal, a superioridade numérica se faz presente. Felipe Melo, sempre amarelado, se vê menos propenso a um combate mano a mano para cobrir os laterais. Uma situação que tem funcionado em todos os aspectos. Não será a panaceia, mas é a opção mais coerente quando se tem laterais com força nos dois setores do jogo.

Lá na frente, eles contam com ajuda. Se há espaço, o cruzamento, se não há, os extremos viram a solução. Dudu e William tem alternado a recomposição competente, comprometida, e a liberdade mesclada com confiança para agredir defesas, infernizar laterais e buscarem a figura do camisa 9, seja num passe ou cruzamento. Não à toa, Dudu tem jogado tão bem, tão elétrico. Sobra gás para isso. O sistema estável cede essa opção.

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Dudu vem crescendo de produção com Scolari: mais participativo e explosivo no ataque

Existem questões individuais que também fizeram enorme diferença no jogo e na passagem que apenas começa com Felipão, mas esse assunto você vai ver amanhã, aqui mesmo no Nosso Palestra. Sorte do Palmeiras viver um momento com tantas questões para serem abordadas que necessitem mais de um texto.

Palmas para esse Palmeiras que parece funcionar e que se prova eficaz em questões muito além de um abraço caloroso.

  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.