Campeões de fato

Campeões de fato

O Palmeiras foi campeão de fato (não por fax) da Copa Rio de 1951. A primeira conquista intercontinental do futebol brasileiro, no torneio mais difícil e competitivo já disputado por oito grandes clubes dos principais continentes. Com a maior torcida que qualquer time brasileiro já teve em competição internacional, por conta do Maracanazo, um ano e uma semana antes do título do Palmeiras.

A Fifa enfim reconhece hoje o que o mundo já sabia de 1960 até 2004. O campeão do Intercontinental é campeão mundial. Na Europa se dá menos bola ao torneio (e menos até do que eles consideram os Mundiais da Fifa, de 2000, e o de 2005 em diante). Na América do Sul se dá mais valor ao troféu que ao da Libertadores. E segue o jogo.

Como é justo que agora, oficialmente, 2000 tenha dois campeões mundiais. De fato, não por fax, nem por e-mail ou site, como enfim deliberou a Fifa, com a arrogância plenipotenciária dela.

Mas se a Fifa diz que é Mundial, e é mesmo, cumpra-se. Assim como a CBF, quando, em 2010, considerou tudo Campeonato Brasileiro a partir de 1959 e até 1970, também se cumpra.

Embora, para o meu gosto, e depois republico aqui tudo que há escrevi a respeito, Taça Brasil é mãe da Copa do Brasil, Robertão é pai do Brasileirão. Mas são todos muito importantes. E mais difíceis e disputados que maioria dos Brasileiros desde 1971 (especialmente o Robertão).

Mas se a entidade que é cartório diz que é, cumpra-se. O Palmeiras é eneacampeão brasileiro. (E não poderia se declarar assim antes de 2010 porque é necessário respeitar quem organiza o futebol no Brasil; a mesma entidade que também o desorganiza).

Agora temos oficialmente o que já era fato: são dois campeões mundiais em 2000. Como em 1967 e 1968 tivemos dois campeões brasileiros. Em 1967, de fato, e não por fax, um só.

Como em 1979 o Rio teve dois campeonatos. Como em muitos anos tivemos estaduais com duas associações de clubes e, por tabela, dois campeões.

Como, em 1987, o mais lógico naquela loucura seria termos dois campeões nacionais.

Como o futebol é rico até em algumas discussões pobres.

Como a que tira o mérito do Robertão por não ter equipes de todo o Brasil na disputa... Então vamos desconsiderar as Copas do Mundo que não tiveram um representante da Oceania? O Uruguai não foi campeão mundial em 1930 por causa disso?

Há um desrespeito gigante com quem é campeão. Um respeito enorme por vencedores. O torcedor entrar na onda, vai. Vale. A imprensa desinformar ou ignorar, porém, é imperdoável.

Parabéns a todos os campeões de tudo. Meus pêsames a quem não sabe perder e nem vencer.

(PS: Sim. O Mundial de 2000 é válido. É oficial. E a diretoria do Palmeiras aceitou abrir mão do torneio em São Paulo para favorecer o então campeão brasileiro de 1998, para viabilizar a sede paulista, e garantir que o organizador do campeonato tivesse a presença de um clube então parceiro dele - o Corinthians)

  • Mauro Beting

    Mauro Beting

    Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 16 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV.