O Palmeiras não sabe jogar contra times fechados?

O Palmeiras não sabe jogar contra times fechados?

Foto: Rodrigo Fragoso

O Palmeiras conquistou um resultado ruim diante do Atlético-MG neste último domingo, 6, no Allianz Parque. O roteiro do jogo foi uma história que a torcida palmeirense se acostumou a ver nesses últimos dois anos. O adversário abre o placar, se fecha lá atrás e o Palmeiras sofre para criar situações de gol ao adversário.

Com Felipão, o Verdão perdeu poucos jogos. Porém em todas as derrotas com Scolari, o time saiu atrás do placar e não conseguiu reverter a situação. Foi assim contra Cruzeiro (Copa do Brasil), San Lorenzo, Corinthians (Paulista) e por último o Grêmio, na Libertadores desse ano, neste caso um episódio até diferente uma vez que o time saiu na frente do placar e conseguiu jogar no lixo a vantagem em 8 minutos.

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No enredo dessa história que mais parece um filme de terror para o torcedor alviverde, sempre vemos um misto de nervosismo com falta de repertório para furar as retrancas adversárias. A tentativa de solução costumava vir pelo alto, com bolas alçadas na área, seja com a mão ou com o pé.

Mano Menezes chegou e tentou revolucionar o estilo de jogo do time do Palmeiras. Tentando trabalhar mais a posse de bola, o novo comandante até conseguiu demonstrar em campo alguma evolução. Nos jogos contra Fluminense e CSA vimos algumas boas triangulações e diversos gols nasceram de jogadas pelo chão.

Contra o Internacional no Beira-Rio, mais uma vez o time conseguiu buscar o empate e se não fosse o VAR, o time conseguiria mais uma virada, e de novo pelo chão.

Porém neste domingo, diante do Atlético-MG, o time voltou a apresentar os mesmos sintomas de sofrimento que tinha com Felipão.

O péssimo primeiro tempo terminou com um gol de Nathan e pela terceira vez com o novo técnico, o Palmeiras teria de buscar o resultado.

Contra o Goiás deu certo. Ontem, não.

E só não foi pior porque Dudu conseguiu tirar um lance da cartola. A genialidade e o improviso que se fazem tão necessários em partidas assim, enfim apareceram. Com uma cavada para Scarpa, Dudu tirou dois marcadores do lance, e já se apresentou para receber o passe. De primeira, guardou para o fundo da rede.

No abafa e na pressão da torcida que transformou o Allianz Parque em um caldeirão, o time quase conseguiu a virada, que o manteria a 3 pontos do Flamengo.

Porém, ter acordado tão tarde pro jogo cobrou o seu preço.

A lição que a partida deixa é que em alguns jogos não existe esquema tático que dê jeito.

A solução vem da técnica e do recurso dos seus próprios jogadores.

E hoje no elenco do Palmeiras vemos pouquíssimos atletas com essas características de rápido improviso e habilidade para destruir linhas de marcação.

Principalmente quando pegamos os meias de armação que o elenco oferece.

É preciso pensar em reformulação para 2020 e principalmente contratações pontuais que realmente mudem partidas.

As constantes quedas em mata-mata não são apenas coincidência.

Mano Menezes terá trabalho para corrigir essa falta de repertório na hora de quebrar as linhas do adversário. Pelo o que pudemos ver, o técnico até está treinando bastante esse tipo de situação.

Mas demanda tempo.

Confere aí a análise em vídeo:

  • Gabriel Amorim

    Gabriel Amorim

    Gabriel Amorim, 28 anos, detesta quem assiste ao jogo sentado e tem como grande ídolo Armando Nogueira. Formado em Jornalismo pela UMESP em 2012, cobriu a Copa do Mundo da Rússia pelo jornal Lance!