Pipocou

Se fôssemos traduzir pelo dicionário, encontraríamos alusão à comida, um derivado do milho, uma produção com várias opções e sabores. Lá pra baixo, no sentido figurado, veríamos algo sobre aquele que falha repetidas vezes em momentos decisivos. Que se omite, que erra, que não é capaz.

Em momento algum, nota-se algo sobre não haver disposição, interesse, foco, volúpia. As coisas não se dissipam ou equivalem. Elas coexistem. E essa noite de Derby só prova que um Palmeiras de boa vontade e alguma fé, esbarrou no receio, na frequência em falha diante desse mesmo rival. Uma incompetência reincidente, a famosa e inevitável pipocada.

Debaixo das traves, de esquerda, de direita, com a cabeça, na marca da cal. Foram as mais diversas formas disponíveis para fazer o gol muito merecido de quem só quis a vitória. O ladelá recostou o glúteo na área de proteção e criou laços com o medo de perder. Típico. O ladecá fez um pouco de tudo, usou um arsenal de jogadinhas quase ensaiadas e nada aconteceu. Aliás, aconteceu de tremer.

A marca da cal e essas cores com temor do gol, meu amigo, é o filé mignon. É o colar de ouro. É o beijo na princesa. É a melhor parte. É o terror deles. É nossa história. Nossas músicas, nossas conquistas. Ser frouxo com esse pacote todo é imperdoável. É deprimente. Ainda mais nos pés de quem pode fazer melhor. Tinha de ser com ódio, com gana. Com respeito ao maior clássico desse país.

O pacto com quem-não-se-deve-dizer é clássico. Sempre escolhe o mirrado, o ruinzinho, aquele que não se dá bem com a bola, para ser herói. O reserva mixuruca chutou como selecionável. Sorte a nossa que algum Deus de verde fez um tiquinho de justiça e pôs nos pés do capitão a função de não perder. Era o mínimo do mínimo do mínimo. Sádico que é, fez com que o passe viesse do peito de quem traiu as cores. Risos.

Pena que algumas pernas tremeram. Mais uma vez. Fedeu à pipoca. Salvem-se as boas almas que fizeram o que deveriam, mas que se ilumine o caminho da saída para os que, ah, vá!, borraram os calções diante de quem e contra quem se deve apenas, apenas, e apenas, vencer.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.