O Palmeiras está classificado para as quartas de final da CONMEBOL Libertadores. Com gol de Gustavo Gómez, o Verdão venceu o Cerro Porteño por 1 a 0, nesta quarta-feira (19), no Estádio Ueno La Nueva Olla, em Assunção, no Paraguai, e garantiu a vaga na próxima fase.
No jogo de ida, disputado no Nubank Parque, em São Paulo, Palmeiras e Cerro Porteño empataram por 1 a 1. Flaco López marcou para o Verdão, enquanto o empate paraguaio saiu após falha de Carlos Miguel.
Fala, Abel!
Após a classificação e diante da pressão que o Palmeiras vem enfrentando, Abel Ferreira destacou a importância de o time saber lidar com jogos de alto nível e valorizou o processo de construção da equipe:
É isso mesmo, eu vou fazer uma provocação. Já estamos habituados à pressão da imprensa brasileira. Para nós, esse é um jogo que podia definir o momento de uma época. Mas são poucas equipes que estão em todas as competições. O Palmeiras de hoje, desde 2020, tem a cara de transformar uma equipe vencedora, valorizar o futebol brasileiro, os títulos e a aposta que fazemos nos jovens. Como apostamos no Luís em um jogo desse. Uma crítica construtiva faz sentido. Mas, em outros casos, terei que começar a pôr o nome.
Como disseste bem, é um momento de pressão. O grupo está crescendo. Tem muito talento, mas ainda não tem a capacidade de sofrimento. Quando cheguei, era o oposto. O Cerro é assim: sobra entrega. E disse a eles: só há uma forma de ganharmos hoje, superando-os nisso. É uma classificação de Libertadores! Uma palavra de carinho: estejam juntos. Nos momentos difíceis, esperamos isso. Gostei de ver a nossa torcida, espero que se mantenha. Já ganhamos uma competição e o balanço só se faz no final.
Nós passamos a eliminatória da Copa do Brasil, mas muita gente meteu quatro jogos sem vencer. Empatamos dois e perdemos dois, mas alguém já olhou a tabela? Já viram o quão difícil é o futebol brasileiro? O treinador do Palmeiras não é só avaliado pelos resultados, é pelos processos e pela valorização de atletas. Queria dizer do João Gabriel: o bônus foi dobrado.
Na sequência, Abel ampliou a crítica e afirmou que a obsessão por resultados imediatos tem feito o futebol perder a capacidade de valorizar processos, esforço e evolução:
O futebol, de modo geral, está doente. Se não ganhar, é fraco. O segundo é uma merda. O futebol, de uma forma geral, está doente. Doente! Estamos obcecados com o primeiro lugar e não estamos valorizando o esforço. No mundo, o futebol anda doente. Anda doente pelos treinadores, dirigentes, torcedores e jogadores.
Abel também ressaltou o caráter imprevisível do futebol e afirmou que, independentemente do resultado diante do Cerro, o Palmeiras precisaria continuar trabalhando para evoluir:
Se tivéssemos perdido hoje, podíamos ter perdido. O futebol é incerto. É um jogo que não sabemos o que vai acontecer amanhã. Ninguém quer saber do passado, é o aqui e agora. O que eu disse é que, independentemente do que acontecesse, amanhã era para continuar a trabalhar. Se talento ganhasse jogos, o Brasil ganhava todas as Copas do Mundo.
É um grupo novo, treinador novo, presidente novo, mas o grupo está aprendendo a jogar no Palmeiras. Se vocês não prestarem atenção, nós vamos ser contaminados por essa doença do futebol. Futebol hoje é muito mais mental do que tudo. Agora saiu uma série espetacular, do City, do Guardiola. Profundamente triste, o futebol mundial está doente.Se eu não for o melhor aluno, o melhor advogado, se eu ficar em segundo, meu esforço não é valorizado? Perdedor é aquele que desiste. O campeão é aquele que jamais para de pedalar.
Por fim, Abel valorizou a postura do Cerro Porteño e explicou que o Palmeiras precisou igualar a intensidade e a capacidade de entrega do adversário para conseguir avançar. O treinador também cobrou mais dos jogadores tecnicamente:
Eu não posso sair sem falar do Cerro. No final, fui cumprimentá-los. Uma forma de ganhar é o que eles fizeram aqui e em todos os jogos contra nós. O Palmeiras é muito melhor, mas na luta, no esforço, também se ganha assim. Jogamos quatro vezes e foi sempre duro. Se nós não formos tão bons ou melhores que eles naquilo que eles são bons, não iríamos passar.
Eu espero, em termos de talento e qualidade técnica, muito mais dos nossos jogadores. Queria que eles jogassem full energy. Não vai haver full decisões, full gols, vai haver entrega, coração e alma para servir o Palmeiras.
