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Abel Ferreira revela dores de Paulinho em treino no Palmeiras: 'Um problema no adutor, mas trouxemos pro jogo'

Verdão encaminhou classificação para as quartas de final da Copa do Brasil após golear Fortaleza no Nubank Parque

Palmeiras venceu o Fortaleza por 3 a 0 em jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, no Nubank Parque. O gol do Verdão na partida foi marcado por Mauricio, que chegou a marca de quatro gols nos últimos quatro jogos com a camisa Alviverde, Jhon Arias e Flaco López.

Fala, Abel!

Após a vitória por 3 a 0 sobre o Fortaleza, pela ida das oitavas de final da Copa do Brasil, Abel Ferreira explicou a opção por alterar o sistema defensivo, comentou os ajustes feitos no intervalo, falou sobre a disputa por posições no ataque e também respondeu sobre as notas oficiais divulgadas por Palmeiras, Flamengo e Vitória nos últimos dias.

A principal novidade na escalação do Palmeiras foi a alteração no sistema defensivo, com Abel Ferreira optando por uma linha de três zagueiros, mesemo sem Gustavo Gómez. O treinador explicou que a mudança foi pensada de acordo com as características do Fortaleza e reforçou que, para ele, o esquema não define se uma equipe é ofensiva ou defensiva.

Qualquer sistema pode ser ofensivo ou defensivo. No século XXI, todos já sabem que eu quero agressividade ofensiva. Quero o Marlon perto da área, o Andreas. Uma equipe com sete atacando e três equilibrando a equipe. Adaptamos uma forma de jogar de acordo com as características e agora fizemos a mesma coisa. Precisamos ter uma equipe equilibrada. Na minha opinião, uma equipe jogando com três jogadores atrás pode ser muito ofensiva. É assim que vejo o futebol.

Ao detalhar a escolha, Abel destacou que também levou em consideração a força do Fortaleza nas bolas paradas e lembrou que já utilizou esse sistema diversas vezes ao longo da carreira.

Também pensamos nas bolas paradas. Uma coisa era ter o Giay, se o jogo pedisse, isso já estava pensado. Mas esse não foi o caso. Contra o Atlético-MG, eles jogaram com 11 jogadores na linha defensiva. O Fortaleza veio aqui, saiu para o jogo e nos pressionou. Quando jogas mata-mata, tens de pensar em tudo. Eles apostam muito na bola parada, e essa foi a minha opção.

Na sequência, o treinador comentou sobre o momento do elenco, elogiou as opções que possui no setor defensivo e reconheceu os méritos do Fortaleza no primeiro tempo.

Já joguei mais de 500 vezes com três zagueiros e sempre me perguntam sobre isso. Sinceramente, perguntei ao Murilo se ele estava gostando de jogar ali, porque foi esse Murilo que o levou para a Seleção. Fico contente por ter opções. No primeiro ano eu tinha poucas, hoje tenho bastante. No primeiro tempo eles tiveram muitos méritos e nós tivemos dificuldades. Dou os parabéns a eles, que não vieram aqui para defender, mas sim para jogar.

Notas oficiais de Flamengo e Vitória

Perguntado sobre a troca de notas oficiais envolvendo Palmeiras, Flamengo e Vitória, Abel lamentou toda a repercussão e afirmou que prefere resolver qualquer situação dentro das quatro linhas.

Eu não queria falar. Lamento tudo isso. Vocês sabem o que aconteceu no ano passado depois do jogo contra o São Paulo. Não foi entre Palmeiras e São Paulo, mas sobre os outros que se juntaram.

Na resposta, o treinador também relembrou episódios do passado envolvendo o Palmeiras e disse que o clube jamais deve sentir vergonha por ter sido rebaixado.

Eu quero ganhar os jogos dentro das quatro linhas. Vocês conhecem a história do futebol brasileiro melhor do que eu. O Palmeiras não se deve envergonhar de cair. Caiu com orgulho e honra. Não foi preciso fazer nada para não cair. É assim que funciona.

Abel ainda fez referência à final da Libertadores do ano passado, criticou a memória curta no futebol e evitou ampliar a discussão.

Temos todos memória muito curta. A final da Libertadores foi no ano passado e houve um asterisco que ninguém vai apagar. Já disse ao árbitro o que pensava sobre isso e não vou falar mais nada.

Para encerrar o assunto, o português afirmou que o episódio dizia respeito apenas a Palmeiras e Vitória.

Vivemos num mundo de homens e sabemos que todos temos virtudes e defeitos. A nota do Palmeiras é muito clara, as imagens também são muito claras. Agora, essa foi uma situação entre Palmeiras e Vitória. Entre A e B, não entre A, B e C.

Mudança no primeiro tempo

O treinador também explicou por que o Palmeiras encontrou dificuldades na etapa inicial diante da pressão exercida pelo Fortaleza.

Quando o adversário te pressiona bem, não fomos capazes de encontrar o caminho no primeiro tempo. Precisas de ajuda. Se eles estão com três, tu colocas quatro. Matemática.

Abel afirmou que os erros em fundamentos simples prejudicaram a equipe antes do intervalo.

Eu falo muito de fazer o arroz com feijão. Falhamos em passes simples no primeiro tempo e isso tira a confiança da equipe.

Na sequência, revelou quais foram os principais ajustes feitos no vestiário para que o Palmeiras conseguisse controlar a partida na etapa final.

No intervalo falei duas coisas: precisávamos de mais aproximação para criar ajudas e, no ataque à área, estar onde sabemos que precisamos estar. O resultado acabou se abrindo. Na primeira parte perdemos uma oportunidade com o Allan e, nesse tipo de jogo, quando abres o placar, tudo fica mais fácil. Para ser sincero, o resultado foi mais volumoso do que aquilo que criamos.

Venda do mando de campo do Fortaleza

Questionado sobre a venda do mando de campo pelo Fortaleza, Abel afirmou compreender a questão financeira, mas disse ser contrário à prática.

Se me perguntas a minha opinião, isso não deveria ser permitido. Para ninguém. Mas entendo a parte financeira. Ninguém vai fazer isso sem compensação. Isso tem a ver com os regulamentos. Todas as equipes deveriam jogar em suas casas. Essa é a minha opinião.

Flaco, Roque, Maurício e Sosa / Rodar o elenco após o 3 a 0

Com todos os atacantes à disposição, Abel destacou o momento vivido por Vitor Roque, Flaco López, Maurício e Ramón Sosa e comemorou a concorrência por vagas no time.

O Vitor Roque ficou muito tempo sem jogar e estamos dando minutos para voltar a ser o que já nos mostrou. O Flaco López, a mesma coisa. Nesse segundo semestre, o Maurício e o Ramón Sosa têm tido um rendimento espetacular. Gostamos muito deles juntos. Mas é uma sorte para mim ter quatro jogadores na frente. O campeonato é longo, temos muitas competições e eles precisam mostrar. Quem entrou foi bem.

Na avaliação do treinador, o futebol moderno exige que todos participem das fases ofensiva e defensiva.

Quando olho para um jogador, não olho apenas para metade do jogo. Tem gente que acha que vale jogar só quando temos a bola. Já ouvi muito que ponta ou atacante não precisa defender. Viram como a Espanha jogou? Eu me inspiro nos melhores do mundo. O clube tem objetivos claros e precisamos ganhar títulos. Todos têm de atacar e defender. Gosto de falar de jogadores completos. Há 15 anos era diferente. Hoje isso não existe. Olhem para a Espanha: todos atacam e todos defendem como uma equipe.

Por fim, Abel brincou sobre a dificuldade para escalar tantos jogadores de qualidade ao mesmo tempo.

Estou muito contente por ter esses quatro jogadores. Agradeço à nossa presidente e ao Barros. O problema é meu, porque a FIFA só me deixa jogar com 11. Se pudesse, colocava os quatro juntos na frente.

Primeira partida com todos os atacantes à disposição e Paulinho com dores

Também perguntado sobre a ausência de Paulinho, que ficou no banco durante toda a partida, Abel explicou que a decisão foi motivada por um problema físico apresentado pelo atacante antes da bola rolar.

Para mim é fácil: meritocracia. Elenco não se faz com 11 jogadores. É preciso perceber que temos regras. O Paulinho não jogou porque sentiu uma dor no adutor. Falou comigo que queria ir para o jogo. Nós o levamos, mas hoje, no aquecimento, não se sentiu tão confortável. Mesmo assim, é muito bom ter esses jogadores.