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Abel Ferreira comemora vitória do Palmeiras e revela segredo para bom desempenho: 'Jogar como amadores'

Treinador do Verdão ainda comentou situação do Allan, que tem negociações com o Manchester City, da Inglaterra

O técnico Abel Ferreira, da SE Palmeiras, em jogo contra a equipe do CR Vasco da Gama, durante partida válida pela vigésima quarta rodada, do Campeonato Brasileiro, Série A, na arena Nubank Parque. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)
O técnico Abel Ferreira, da SE Palmeiras, em jogo contra a equipe do CR Vasco da Gama, durante partida válida pela vigésima quarta rodada, do Campeonato Brasileiro, Série A, na arena Nubank Parque. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)

Palmeiras venceu o Vasco por 4 a 1 neste domingo (23), no Nubank Parque. Com gols de Flaco López (2), Vitor Roque e Maurício, o Verdão volta a ter uma vantagem de seis pontos em relação ao vice-colocado, Flamengo, que ainda tem um jogo a menos. Colidio descontou para equipe carioca. 

A equipe comandada por Abel Ferreira fez um primeiro tempo ruim, mas se recuperou nos primeiros dez minutos da segunda etapa.

Fala, Abel!

Após a vitória do Palmeiras sobre o Vasco, neste domingo (23), pelo Campeonato Brasileiro, Abel Ferreira falou sobre a mudança de postura da equipe no segundo tempo, a utilização de Allan e a possibilidade de o atacante deixar o clube. O treinador também explicou como costuma desafiar os jogadores durante o intervalo e destacou a importância de recuperar a confiança e a leveza do elenco em momentos de dificuldade.

Mudança para o segundo tempo e possível saída de Allan

Abel explicou que a procura de outros clubes por Allan está relacionada à capacidade do jogador de atuar tanto ofensiva quanto defensivamente, além de ocupar diferentes espaços do campo. Para o treinador, atletas completos são cada vez mais valorizados no mercado.

Eu só acho que essas equipes querem o Allan porque ele faz o que 90% dos pontas não fazem: atacar e defender. Por isso que, quem quiser levar, vai ter que pagar muito. As equipes tops pegam jogadores completos. E, quando encontram jogadores assim, que fazem lateral-direita, vêm para dentro e para fora, claro que todo mundo quer esses jogadores. Mas também é preciso formar, escalar.

Abel também comentou a estratégia utilizada na segunda etapa e afirmou que a mudança ocorreu principalmente pela característica dos jogadores que estavam em campo.

Eu não sou avaliado somente pelos resultados. Acho que nossos adversários, como sempre, vieram com agressividade e vontade para pressionar. Eu, na segunda parte, fiz a mesma coisa com jogadores diferentes. Não mudou nada, e sim os jogadores eram outros. O que deu mais largura foi o Giay, o que andou por dentro foi o Allan, mas também por fora. E também a forma que abrimos o jogo. Às vezes, é preciso isso.

Sobre o gol marcado no segundo tempo, o treinador destacou a qualidade individual do jogador e revelou que havia pedido mais iniciativa aos atletas durante o intervalo.

Um belo gol, muito mais mérito dele. No intervalo, perguntei se não conseguia fazer mais individualmente. O treinador tem responsabilidade pela tática, mas eles sabem que os jogadores do Palmeiras têm que ter coragem, assumir riscos. Somos jovens, fizemos uma bela segunda parte, em todos os níveis.

Abel ainda criticou os assovios vindos das arquibancadas durante o primeiro tempo e pediu apoio à equipe.

Na primeira parte já havia assovios, e isso não ajuda o Palmeiras. Puxem pela equipe. Eles nos criaram dificuldades no primeiro tempo, tivemos que bater a bola para frente em alguns minutos.

Desafiar os jogadores no intervalo

O treinador também falou sobre a dificuldade de avaliar o rendimento de uma equipe sem considerar fatores como calendário, tempo de recuperação e desgaste físico e mental.

É muito difícil falar de rendimento. Nunca fazem o contexto, de tempo para treinar, recuperar. Quando você vê uma equipe que falha cruzamento, passe, falta energia física e mental. Todas as equipes vão passar por momentos bons e ruins. Quando não conseguir dar magia, o sistema proporciona que os jogadores joguem cansados. Depois, tem que trocar um ou dois para jogar na máxima força.

Abel afirmou que busca transmitir tranquilidade ao elenco nos momentos em que o time não consegue apresentar seu melhor futebol.

Quem consegue manter uma consistência aqui? Isso é normal. Falo para eles terem calma. ‘Tenham calma, vamos ganhar mesmo não estando bem’, falo isso. É normal. Quando tem quatro ou cinco dias, depois você vê criatividade.

O treinador utilizou Flaco López como exemplo para destacar a importância da qualidade individual dos jogadores e lembrou das críticas que o atacante recebeu em momentos anteriores.

Atitude mental conta. Os dois gols que o López fez têm a ver com o quê? Qualidade. Por isso pagamos 8 milhões e ele vale 50 hoje. Passamos dois anos com ele sendo vaiado e mandando ele embora.

Abel também citou o confronto contra o Fluminense e criticou a tendência de desvalorizar os adversários quando o Palmeiras encontra dificuldades.

Depois do Fluminense, parecia que a classificação estava ao contrário. O Fluminense não presta? Não tem uma boa equipe? Então por que vamos desvalorizar as equipes que jogam contra o Palmeiras? Igual hoje, não vão valorizar o Vasco? Na segunda parte, alguém vai falar que eles tinham um dia a menos que o Palmeiras? Não vão falar disso? O campeonato é condicionado pelo calendário. No mínimo, três dias. Tem que ser assim. Alguém fala isso? Uma certeza: um vai ganhar, os outros todos vão perder.

Segunda etapa como caminho para bons resultados

Abel ressaltou que a equipe precisa assumir responsabilidades dentro de campo e jogar com mais liberdade, principalmente os jogadores mais jovens.

É os jogadores assumirem para primeiro lugar, todos os jogadores. Jogar como se fosse amadores. Com paixão e só. Não pensar em mais nada. Com prazer, paixão. É isso que acontece com os moleques que saem da base, que saem da base e começam a ter pressão, querer renovar contratos. Se não ganhar, vão criticar.

O técnico reforçou que o futebol precisa ser encarado com mais leveza, independentemente da pressão por resultados.

Joguem como amadores, com paixão, riscos. Se ganharmos, ganhamos; se perdermos, perdemos. Isso é futebol. Jogar futebol tem que ser um prazer. Não somos amadores, mas o espírito tem que ser esse.

Abel ainda contestou a ideia de que apenas Palmeiras e Flamengo possuem elencos capazes de disputar títulos no futebol brasileiro.

Muitas vezes eles ficam tão pesados. Não concordo que no Brasil só tem A e B. Não viram ontem o Cruzeiro jogar? Compraram um jogador de 40 milhões de euros. Não aceito quando dizem que só tem o Palmeiras e Flamengo. E o Fluminense não joga? O Athletico Paranaense está top. Tem quantas competições? Só tem uma competição. É isso que às vezes tento mostrar para vocês: o que é uma equipe que joga todas e as que jogam apenas uma competição.

Possível saída de Allan e reposição

Por fim, Abel evitou confirmar o futuro de Allan, mas garantiu que o Palmeiras seguirá competitivo mesmo caso o jogador seja negociado.

Eu não queria falar, não sei o que vai acontecer. Se o Allan sair, podemos perder qualidade, mas não vamos perder competitividade. Isso te dou minha palavra. Mas 40 milhões por um jogador… parabéns para a comissão técnica, presidente, diretor. Quantos jogadores já vendemos assim? Enquanto ele for jogador do Palmeiras, conto com ele de manhã, à tarde e à noite.