
O Palmeiras deixou a Vila Belmiro com a classificação para as semifinais da Copa do Brasil e, mais uma vez, mostrou a capacidade de administrar uma vantagem construída no primeiro jogo. Depois de vencer o Santos por 3 a 0 na partida de ida, o Verdão empatou por 0 a 0 na noite desta quarta-feira (2) e avançou sem grandes sustos.
Com o resultado, a equipe volta as atenções para o Campeonato Brasileiro. O Palmeiras já entra em campo no domingo (6), diante do Botafogo, no Rio de Janeiro, enquanto Abel Ferreira terá pela frente mais um julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) na sexta-feira (4).
Fala, Abel!
Após a classificação, o técnico português valorizou a atuação da equipe e também fez elogios ao árbitro Davi de Oliveira Lacerda, que comandou o confronto. Abel reconheceu que vive os jogos de maneira intensa, mas afirmou que não pretende mudar sua personalidade à beira do campo.
Olha, a primeira parte da pergunta. Fizemos um jogo consistente. É verdade que fizemos um bom resultado em casa, que nos permitiu vir aqui e jogar de forma séria, num campo histórico, onde jogou o melhor jogador do mundo, o Pelé. O estádio estava bonito, vibrante. Sabíamos que, se o Santos fizesse um gol nos primeiros 15 minutos, as coisas podiam mudar. Conseguimos o resultado que queríamos.
Na sequência, Abel destacou a atuação do árbitro Davi de Oliveira Lacerda, que apitou pela primeira vez uma partida do Palmeiras. O treinador lembrou que já havia defendido, em outras oportunidades, a necessidade de dar espaço a árbitros mais jovens no futebol brasileiro.
Dizer que este árbitro, a primeira vez que me apitou, o Davi, foi logo no início, e lembro de dizer há dois ou três anos que é desse tipo de árbitro que o Brasil precisa: jovens com caráter, personalidade, que não se abatem. Fez um excelente jogo.
Abel também relembrou um episódio envolvendo cartões amarelos durante a partida. O treinador recebeu uma advertência depois de reclamar de uma situação envolvendo Neymar e comparou a decisão com o cartão mostrado a Giay.
Aliás, me deu um amarelo. Protestei porque o Neymar chutou para fora e ele não deu amarelo, e depois o Giay fez isso e tomou. Eu vivo intensamente o jogo, não vou conseguir mudar isso.
Abel voltou a mencionar episódios anteriores em que foi punido por seu comportamento à beira do campo e afirmou que não considera possível separar completamente sua personalidade da maneira como vive as partidas.
É normal que às vezes extravase. Na Conmebol, a mesma ação. Chutei o microfone e fui multado, não me tiraram do jogo. Sabem muito bem que já fui julgado e levei oito jogos, não matei ninguém. Vivo intensamente. Eu me chamo Abel Ferreira e sou ser humano, vou cometer erros como todos nós.
MÁ FASE DE VITOR ROQUE E FALTA DE SUCESSO DA DUPLA COM FLACO
Vitor Roque voltou a ser assunto após mais uma partida sem balançar as redes. O atacante ainda busca recuperar o melhor nível depois de ficar afastado por cerca de três meses por causa de uma lesão. Abel saiu em defesa do jogador e ressaltou que o processo de retomada exige tempo.
“Faz parte. O Roque esteve lesionado três, quatro meses. Está voltando da lesão, vocês sabem o quanto defendi o Roque ano passado. Ninguém defendeu mais do que eu. Só quero ele com alegria, feliz.”
O treinador, porém, fez uma cobrança pública em relação à postura do atacante. Para Abel, a linguagem corporal de Vitor Roque precisa mudar, principalmente diante das dificuldades enfrentadas pelo jogador neste momento da temporada.
“A linguagem corporal dele não é a melhor, precisamos perceber o contexto. A única coisa que eu peço é que sorria, agradeça, que Deus lhe deu oportunidade. Gols são consequências de uma tarefa. Primeiro, precisam fazer as tarefas que levam ao gol.”
Abel também reforçou que a cobrança não é exclusiva sobre Vitor Roque e lembrou que já fez o mesmo tipo de alerta a Flaco López. O treinador destacou que o Palmeiras precisa de diferentes jogadores para manter a competitividade ao longo da temporada.
“O que eu disse no último jogo, treino da mesma maneira, também já disse várias vezes do López. Precisamos do Roque, López, Maurício, Paulinho, Sosa. Joga Luis, Larson, Belé. Desde que cheguei, arrumo soluções para o Palmeiras ser competitivo.”
Mesmo diante da atual fase do atacante, Abel voltou a lembrar a importância de Vitor Roque para a temporada e citou a participação decisiva do jogador na conquista do Campeonato Paulista.
“Ele é uma peça fundamental. Vou nos lembrar que já ganhamos um título esse ano, ninguém vai apagar isso. Conta e dá o mesmo trabalho e ele nos ganhou essa taça sozinho. Lá no Novorizontino, foi ele. Ele tem para dar. Primeiro, é muito por aí. Agradecer e sorrir. Linguagem corporal.”
COMO VITOR ROQUE RECEBE A COBRANÇA?
Questionado sobre como Vitor Roque recebe esse tipo de cobrança, Abel explicou que sua função é mostrar ao jogador o caminho para recuperar o desempenho, mas que a mudança depende também da atitude do próprio atacante.
O português lembrou ainda que o atacante teve participação importante em uma sequência pesada de jogos na temporada passada e afirmou que não pode fazer o trabalho pelo jogador.
“Sabe quem aguentou nas costas 10 ou 15 jogos no ano passado? Eu não vou fazer nada por ele, nem pelas minhas filhas. Faço o que depende de mim. Minha função é ser treinador e professor.”
Abel afirmou que Vitor Roque é jovem e precisa receber apoio neste momento, mas ressaltou que cabe ao próprio atleta reagir e buscar novamente seu melhor futebol. Segundo o treinador, os capitães, a comissão técnica e a diretoria também estão próximos do atacante.
“Vou dizer onde tem o caminho, ele é um moleque, precisa de carinho e atenção. Agora quem precisa meter o pé no caminho é ele. Os pés precisam estar no caminho. Os capitães estão cuidando dele, treinador e direção.”
LESÕES, PAULINHO FORA E BARBOZA DE VOLTA
Com o calendário apertado e novas decisões pela frente, o Palmeiras também convive com problemas físicos no elenco. Paulinho é uma das baixas para a sequência, enquanto Alexander Barboza volta a ficar à disposição após cumprir suspensão.
Diante das ausências, Abel foi questionado sobre a possibilidade de o clube buscar novas peças no mercado. O treinador, porém, indicou que a comissão técnica não pretende contratar simplesmente para aumentar o número de opções no elenco.
“Não vamos buscar por buscar se não há jogadores do nosso critério. Vamos apostar no que temos.”
Abel também afirmou que, na visão dele, o maior risco neste momento seria deixar de tomar decisões por medo de errar. O português utilizou a própria chegada ao futebol brasileiro como exemplo.
“Maior risco é não arriscar. Arrisquei vindo ao futebol brasileiro, esse foi meu maior risco. Contra minha mulher, minha mãe.”
Por fim, em tom descontraído, o treinador dedicou a classificação à esposa e brincou com a relação entre os dois.
“Gostaria de dedicar essa vitória à minha mulher. E dizer que ela tem sempre razão.”
