
O Palmeiras venceu o Santos por 3 a 0, no Nubank Parque, e abriu vantagem na disputa por uma vaga na semifinal da Copa do Brasil. Os gols foram marcados por Flaco López, duas vezes, e Andreas Pereira. O jogo de volta acontece no dia 2 de setembro, na Vila Belmiro.
Fala, Abel!
Após a vitória do Palmeiras sobre o Santos, Abel Ferreira comentou sobre a atuação da equipe, a importância da formação de jovens, o planejamento físico para o jogo de volta e as escolhas táticas para o confronto. O treinador também falou sobre Jhon Arias, Maurício e Giay, além de dedicar o resultado a Lito.
Vitória e o significado dos 112 anos do Palmeiras
Primeiro lugar, parabéns ao nosso Palmeiras. Segundo, quero dedicar essa vitória ao Lito. Continue, não desista.
Em relação à pergunta, foi um dia especial para todos nós. O Palmeiras é todos nós: torcedores, jogadores, treinadores, todos aqueles que amam o Palmeiras. É um dia especial para a Família Palmeiras.
Desde 2020, quando cheguei ao Palmeiras, a única constante é a mudança. Mudança em todos os níveis. Criamos internamente uma cultura e, para se criar uma cultura, precisamos de hábitos. Hábitos precisam de exigência, e isso são processos.
No Palmeiras, são seis anos de trabalho e uma dificuldade muito grande de estar sempre procurando soluções para vender jogadores. Mas vocês lembram das minhas primeiras contratações: Kuscevic e Breno. Antes, criticavam a Leila por não contratar. Ela sempre olhou com responsabilidade, sem perder a ambição.
E parece fácil. Você olha para as equipes e vê quantas apostam nos jovens e lutam para ganhar. Nenhuma. Isso é mérito daquilo que se faz na formação. Nós investimos muito.
Nenhum jogador sobe sem o aval do Castanheira. Ele é o responsável por esse aval, e o treinador decide quando ele entra. O Heittor, por exemplo, entrou todo cagadinho. Faz parte. É bom que ele entenda que a cobrança é grande, mas começa assim: cinco minutos, depois 20 minutos.
Preservação física e elenco curto
Questionado sobre a possibilidade de poupar jogadores no duelo de volta, na Vila Belmiro, e sobre a parte física do elenco, Abel destacou as dificuldades do calendário e o número reduzido de opções.
Vou falar mais uma vez: o futebol brasileiro não perdoa ninguém. Jogadores e comissão técnica. O nosso elenco está bem curto, bem curto. Pena que temos três lesionados que nos dariam outras soluções.
É fazer a análise para saber o que tem o Arias e o Gómez. Vamos arriscar o que temos nas competições que temos.
Palmeiras poderia ter ampliado a vantagem
Mesmo com a vitória, Abel reconheceu que o Palmeiras poderia ter construído uma vantagem ainda maior diante das oportunidades desperdiçadas. Na partida, Jhon Arias atuou pelo lado direito, enquanto Maurício apareceu pela esquerda, em uma das alternativas utilizadas pela equipe.
O Arias, quem potencializou foi a Leila. Vendemos um por 40 e pagamos 25 por ele. As conversas que tive com ele foram fundamentais. Ele falou para mim que jogava na direita, esquerda e no meio. Mas perguntei onde ele gosta de jogar, e ele me disse que é na direita.
Falei que era difícil por conta do Allan, mas nós sabíamos, conhecíamos o jogador e conversamos com ele. Temos o Felipe, que faz ali, e o Khellven também.
Desde que estou aqui, já jogamos em vários sistemas. Lembro perfeitamente da grande vitória contra a LDU, quando jogamos com três zagueiros.
Sabíamos que o Santos, da forma que marca, é diferente, assim como o Fortaleza. O Santos faz uma marcação individual com sobra. Acho que fizemos um jogo consistente, mas tivemos duas ou três oportunidades que não podemos falhar. Faz parte do futebol. Sei que eles não queriam errar.
Sistema com três zagueiros
Abel também explicou sua visão sobre a utilização de três zagueiros e ressaltou que o desenho tático inicial não determina necessariamente o comportamento ofensivo ou defensivo da equipe.
Olha, o sistema é estático. Depois, é dinâmico, roda. O Chelsea, o Atlético Mineiro sabem como joga? Me custa falar de esquema com vocês. Cada um dá a sua opinião. O sistema dá o que quiseres. Um sistema de três zagueiros pode ser ofensivo, e uma linha de quatro pode ser muito defensiva. Gosto de jogar com três zagueiros. Podem me dar sete jogadores atacando. Dá uma força tremenda na bola parada. Eu faço tudo aquilo que eu sinto que é melhor para o Palmeiras.
Flaco López e a assistência de Giay
Por fim, Abel valorizou a participação de Giay no gol marcado por Flaco López e destacou a dedicação do argentino, apesar das críticas que recebe em alguns momentos.
O que é talento? Esse, para mim, é o maior talento. Nessa dedicação, ninguém é melhor que o Giay. Ele falha passe, falha cruzamento, mas entrega tudo, tudo. E, com o tempo, eu garanto: com um pouco de calma e carinho da torcida, ele vai começar a fazer assistências, e vocês vão ver o jogador que ele é. E vou dizer: o que me dá mais gosto é quando chegamos e construímos um grupo que não tinha o mesmo talento deste. Agora estamos juntando as duas coisas. Já poderíamos ter vendido e não vendemos. E o que ele fez naquela assistência é aquilo que vai para além do futebol, aquilo que contagia.
Não encontra em lugar nenhum
Abel Ferreira também destacou a liberdade e a confiança que encontrou no Palmeiras desde sua chegada, comparando o ambiente do clube com o que existe em grandes equipes do futebol mundial.
Não vou encontrar em lugar nenhum o que tenho aqui. Nem no Barcelona, nem no Real Madrid. É difícil estar em um clube onde você tem voz, liberdade e tudo mais. E feliz estou num clube onde três pessoas trabalham para o clube: Barros, Abel e nossa presidente, Leila.
Abel Ferreira também relembrou uma conversa com Anderson Barros após o jogo contra a LDU, destacando a confiança no trabalho realizado internamente e a facilidade para tomar decisões em conjunto no Palmeiras.
Após o jogo da LDU, eu disse ao Barros: ‘Acho que devemos renovar com esse jogador. Está rendendo mais do que ele ganha.’ E não só vamos renovar, como vamos comprar o restante que falta. O Palmeiras tinha 70%, e acabamos por comprar o restante. É muito fácil trabalhar neste clube.
Próximos jogos
- 30/8 (domingo): Mirassol x Palmeiras (Brasileiro) -18h30 (de Brasília)
- 2/9 (quarta): Santos x Palmeiras (Copa do Brasil) – 21h30 (de Brasília)
- 6/9 (domingo): Botafogo x Palmeiras (Brasileiro) – 18h30 (de Brasília)
