
Após a goleada do Palmeiras por 6 a 1 sobre o Remo, nesta quinta-feira (5), no Nubank Parque, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro, Abel Ferreira concedeu entrevista coletiva e demonstrou satisfação com o desempenho da equipe. O treinador destacou a sequência intensa de partidas, comentou as convocações para as seleções, a disputa pelo título brasileiro e a importância da consistência no trabalho desenvolvido pelo clube.
Satisfação com a goleada e o desempenho
Abel ressaltou que o resultado precisa ser analisado também considerando o calendário enfrentado pelo Palmeiras. Segundo o treinador, a equipe conseguiu manter a intensidade e criar oportunidades mesmo diante da sequência de oito jogos em 30 dias.
Acho que é muito fácil falar do jogo sem falar dos jogos que tivemos, oito em 30 dias. Fomos muito eficazes. Fizemos um jogo fluido, jogo leve. Fomos muito fortes em criar oportunidades e muito fortes em não dar transição para nosso adversário. Contra equipes do Carpini, são jogos muito difíceis, acho que é um dos bons treinadores brasileiros, mas hoje fomos eficazes, eficientes e foi um jogo muito agradável para quem assistiu e criamos após as substituições, estamos preparados e temos boas dores de cabeça. Faltando um mês para acabar a época, estamos em todas.
Convocações para as seleções e mudanças na equipe
Questionado sobre as alterações na escalação, incluindo Flaco López e Giay entre os reservas, Abel aproveitou para questionar os critérios das convocações internacionais e os impactos que as ausências podem provocar na disputa do Campeonato Brasileiro.
Isso é giro, né? Quantos jogadores do Palmeiras foram convocados para Seleção Brasileira na última? Nenhum? Então posso perguntar que jogadores do Palmeiras foram chamados, nenhum, que agora dispensaram, mas nenhum foi chamado. Eu particularmente não gostei quando falaram que não vão chamar jogadores do Palmeiras, já que antes não chamavam. Já falei que o Brasileirão é especial, muitos fatores determinam a sequência, e um deles é esse. A CBF decide não convocar três ou quatro jogadores do Flamengo, porque do Palmeiras não foi nenhum, isso são fatos. A Argentina decide convocar dois ou três, Paraguai, dois ou três e eu pergunto se isso é justo, uma equipe lutando pelo Brasileirão, haver seleções que dispensam jogadores e outras que os levam para o outro lado do mundo, sendo que o Palmeiras paga os salários e eles estão em outro lado do mundo. Alguma coisa está errada aqui, não nas seleções. O Scaloni podia dizer a mesma coisa, jogadores do Palmeiras e do Flamengo não vou convocar nenhum.
Disputa pelo Brasileirão e a importância da consistência
Abel também foi questionado sobre a possibilidade de o Palmeiras terminar a competição com uma pontuação superior aos 70 pontos conquistados em 2023, quando foi campeão, mas ainda assim não levantar a taça. O português destacou que investimento financeiro não é o único fator determinante para conquistar títulos e apontou a consistência como diferencial.
Olha, se fosse pelo dinheiro e investimento, o Flamengo era sempre campeão, mais investe e contrata. E quando falam em jogadores a custo zero, quem está no futebol sabe que isso não existe e não é o caso. O que eu acho que define, o Cruzeiro está competindo. Não adianta jogar bem, eu sempre falo, quando jogo contra o Corinthians, é muito difícil. Isso é uma boa questão, se fosse pelo dinheiro, o campeão seria o mesmo, o que mais gasta. Há outras formas de ganhar. Eu quando ganhei do São Paulo, viram a dificuldade? Santos? Cruzeiro? A diferença é consistência, nos processos, no treinador. Pode estar o barulho que estiver fora, ela sabe o treinador que tem, os funcionários que tem. A diferença está na consistência. O Corinthians não é uma boa equipe? O Cruzeiro igual. O Palmeiras tem uma coisa boa, abre o livro e mostra tudo, não esconde nada. A diferença é consistência.
Maurício vive melhor temporada da carreira
Com 15 gols na temporada, Maurício vive o melhor ano de sua carreira. Perguntado sobre o momento do meia e a possibilidade de mantê-lo entre os titulares, Abel valorizou o rendimento individual, mas reforçou que suas escolhas são feitas pensando no coletivo.
Eu preciso perceber quem vou tirar. Ele não. Futebol é rendimento. Ele já jogou, já ficou de fora, como todos os outros. Eu não jogo só com 11. Eu não gosto de falar de titulares, gosto de ter jogadores disponíveis, o que me orgulha é que vivemos do coletivo. O Maurício, da forma que está jogando, preciso ver quem vou tirar dos outros, não é ele.
Palmeiras manteve a intensidade durante os 90 minutos
Mesmo com a vantagem construída ainda no primeiro tempo, o Palmeiras não diminuiu o ritmo e continuou buscando gols. Abel explicou que a postura também está relacionada à preparação para as decisões que a equipe terá pela frente. O treinador ainda destacou a campanha consistente do Flamengo na disputa pelo título brasileiro e relembrou o empate por 1 a 1 entre as equipes no primeiro turno.
Olha, primeiro dizer que temos tido um rival fantástico, Flamengo tem sido muito consistente. Prova disso que estamos atrás deles. É verdade, mesmo ganhando aqui, eles continuam dependendo deles. Eles têm tudo para ganhar esse campeonato. Alguém sabe dizer o que rolou no primeiro turno contra o Remo? Foi 1 a 1. Mas sabemos o que se passou lá. Flamengo tem sido consistente, equipe experiente, batida. Uma equipe recheada de jogadores de qualidade, dentro e fora, soluções fabulosas, não tem preocupação de apostar em jovens. Não precisa disso. E eu acho que não há outra forma de eu me preparar para finais, a não ser meter o pé no acelerador. Eu não escolho jogos, adversários, competições, para mim dá tanto trabalho ganhar Libertadores e Paulista. O campeão não escolhe nada. A única forma que temos de nos preparar é meter o pé no acelerador.
Gestão do elenco e sequência de jogos
Com um calendário apertado e compromissos decisivos pela frente, Abel foi questionado sobre a possibilidade de preservar cinco jogadores nos próximos compromissos. O treinador destacou a importância das substituições e afirmou que trabalha com um grupo de 16 atletas por partida.
Como eu tenho cinco substituições, imagina você nesse calendário, é muito bom. Vamos pensar um jogo de cada vez, hoje jogaram de início os que estavam mais preparados. A responsabilidade não é minha, a FIFA diz que só pode jogar 11 e entrar cinco, cada jogo eu conto com 16 jogadores, é gerir essa questão, não dá para fazer gestão, é continuar metendo o pé, acelerar, ser leve e fluido. Travar e acelerar no momento certo.
Vitor Roque e a disputa por posição no ataque
Por fim, o treinador comentou a alternância de Vitor Roque entre a titularidade e o banco de reservas. Abel explicou que o atacante depende muito da condição física para atingir seu melhor rendimento e destacou a importância dos treinamentos para recuperar o nível apresentado durante o Campeonato Paulista.
É uma possibilidade, vai ser difícil, o Flaco joga antes do jogo contra o Cruzeiro, o Arias também, os do Paraguai estarão no outro lado do mundo, e tem três ou quatro moleques que serão convocados. Só preciso de 15 jogadores. Quando olhamos pro Roque e cada jogador tem característica, ele precisa estar bem fisicamente, ele depende muito disso, o Roque, a base do jogo dele, a base pro melhor momento, tem que vir do poderio físico. Como ele mostrou no Paulistão contra o Novorizontino, ele para chegar nesse momento, precisa muito treinar 200%, jogar e hoje procuramos dar mais ritmo ainda.
