COLETIVA

Abel Ferreira comemora goleada em Dérbi e fala sobre Paulinho: 'Se lesionar, não tem problema nenhum'

Camisa 10 voltou aos gramados e perdeu pênalti no segundo tempo; Treinador português valoriza elenco para restante da temporada

Após a vitória do Palmeiras por 4 a 1 sobre o Corinthians, Abel Ferreira concedeu entrevista coletiva e abordou diferentes aspectos do momento alviverde. O treinador falou sobre a importância do clássico às vésperas da semifinal da Libertadores, comparou os modelos de gestão dos dois clubes, defendeu jogadores que vêm ganhando espaço e comentou a recuperação de atletas lesionados.

Abel pede que torcida trate todos os jogos como um dérbi

Antes da partida, João Martins havia destacado que os três pontos conquistados em um clássico têm o mesmo valor dos demais jogos. Após a goleada, Abel Ferreira reforçou a ideia de que a mobilização demonstrada pela torcida contra o Corinthians deveria se repetir durante toda a temporada, especialmente em um momento decisivo para o clube.

Sabem, eu não me mobilizo só porque vamos jogar contra o Corinthians. Todos os jogos são o limite. O desafio que faço aos torcedores é: vamos jogar cada jogo como uma final. Peço aos torcedores que façam todos os jogos como se fossem contra o Corinthians.

Se tivermos essa energia em todos os jogos, juntando com o nosso espírito, podemos fazer a diferença. Sabemos o que significa um clássico. Não é a primeira vez que fazemos quatro gols.

Não vamos ganhar sempre, não precisam cobrar vitórias. Fazemos isso desde que estamos aqui. Vamos fazer a nossa parte e encarar cada jogo, mas entendemos o contexto do dérbi.

Espero e peço que se mobilizem como se fosse contra o Corinthians. Quando encaramos cada jogo como uma final e a nossa torcida faz o mesmo, há muito tempo eu não sentia a pele arrepiar dessa forma. Faço esse pedido à torcida. Precisamos muito dessa ajuda.

Abel cita gestão do Palmeiras ao comentar instabilidade do Corinthians

Questionado sobre o fato de o Corinthians ter passado por diversas trocas de treinadores, Abel Ferreira direcionou a resposta para a estrutura administrativa e a continuidade do trabalho no Palmeiras. O português destacou a importância das gestões de Paulo Nobre, Maurício Galiotte e Leila Pereira, além de defender a estratégia de desenvolver jogadores e realizar vendas para manter o equilíbrio financeiro do clube.

Eu já joguei e perdi. No ano passado mesmo, perdi um título. Se calhar, mais do que olhar para o treinador, tem que olhar para quem nos lidera. A diferença é essa. Se a nossa presidente não fosse forte, talvez eu estivesse fora.

O que faz a diferença do Palmeiras desde que cheguei aqui é o processo. Vendemos um jogador por 40 milhões de euros e não compramos ninguém. Não posso dizer que ficamos com mais opções depois que vendemos o Allan.

Respeitamos os patrocinadores e fornecedores. Disse várias vezes a eles que, se for para não pagar os salários para comprar jogadores, eu não quero. Foi assim em 2020: não contratamos quase ninguém. No ano seguinte também não. Conseguimos através do processo.

O Palmeiras é um exemplo a seguir. Somos a equipe mais jovem entre as cinco primeiras colocadas. Temos patrimônio humano para vender, se necessário, e foi isso que fizemos, com processo, ajuda e trabalho. Há cobrança interna e externa, mas nunca deixamos de seguir aquilo em que acreditamos.

Se eles já tiveram 15 ou 20 treinadores, o que é um treinador caro? Imagino que tenho que pagar para despedir um treinador, pagar para contratar outro e chega um momento em que estou pagando três treinadores. Isso se chama gestão.

Paulo Nobre profissionalizou o clube, Galiotte fez um excelente trabalho e a presidente trouxe investimento. Seguramos jogadores e investimos. Compramos Vitor Roque e Arias, vendemos muito e bem: Allan, Estêvão, Endrick e Vitor Reis.

Portanto, é um clube a seguir como modelo. Não vai ganhar sempre, como nenhuma equipe do mundo.

Abel defende Giay e Flaco López e valoriza desenvolvimento do elenco

O treinador também foi questionado sobre a evolução de Agustín Giay, que vem ganhando destaque, e de Flaco López, hoje titular da equipe. Abel defendeu o processo de adaptação dos jogadores contratados pelo clube, ressaltou a importância do caráter e da capacidade de trabalho e aproveitou para elogiar Khellven, outro atleta que passou por um período de adaptação às exigências do Palmeiras.

Se fôssemos seguir o que dizem, já teriam mandado o Giay embora e o López também. O jogador em que eu não vejo futuro não fica no Palmeiras.

Eu não abdico do caráter. Prefiro contratar um cara mais fraco tecnicamente, na leitura de jogo, mas com caráter. Esse eu consigo trabalhar. É o caso do Giay.

E acho injusto falar do Giay sem falar do Khellven. Chegou bem, foi amassado e foi bem no último jogo. Eles começam a entender o que é jogar no Palmeiras: uma cobrança diária, uma cobrança nos treinos, processos.

Não seria justo falar dele sem falar do Khellven. Acreditamos que, a médio e longo prazo, precisamos potencializar e vender jogadores para cumprir com os nossos deveres. É muito difícil, em uma equipe que luta por títulos, formar jogadores. Digam-me uma no Brasil. No Barcelona, ocorreu isso porque fecharam as portas.

É a filosofia da nossa presidente, do diretor e do treinador. O Giay merece tudo o que está acontecendo. Entrega e caráter ninguém compra. É continuar a fazer. Quem diria que ele faria dois gols?

Agora ninguém vai falar dos três zagueiros. Temos oportunidade de crescer. Parabéns ao Giay. O Khellven também fez coisas boas. Adoro essas boas dores de cabeça: fecho os olhos, escolho e sei que vão bem.

Abel explica opções no meio-campo e elogia evolução de Evangelista

Com o aumento da concorrência no meio-campo, Abel Ferreira comentou a evolução de Lucas Evangelista e explicou que a escolha dos titulares passa pelas características dos jogadores disponíveis. O técnico também recordou as dificuldades enfrentadas pelo elenco na temporada anterior e citou as opções que tem à disposição para a posição.

u sei que o futebol tem memória curta. No ano passado, quando lutamos para ser campeões, dois jogadores se lesionaram. Um deles foi o Lucas, e as pessoas não querem saber. Foi uma perda muito grande no ano passado, e fico feliz com ele. O tamanho dele é o tamanho da maturidade dele.

Infelizmente, tenho três volantes: o Marlon, o Andreas e o Lucas. Temos o Emiliano, que pode nos ajudar em outras circunstâncias, e o Luis. Treinamos com ele, ele tem crescido, e temos o Larson.

Técnico critica impacto da Data Fifa na preparação dos clubes

A sequência de jogos e as convocações para as seleções nacionais também foram tema da coletiva. Abel Ferreira questionou as condições de preparação das equipes quando jogadores retornam às vésperas das partidas e defendeu maior exigência em relação ao calendário, considerando as necessidades dos clubes.

Não, o Giay esteve conosco? O Gómez? O Sosa? O Maurício? O Flaco, o Arias, o Emiliano… Não. Seria benéfico se eu tivesse três dias depois da seleção. Quando temos jogadores fora e eles chegam na véspera do jogo, não sei o que temos que fazer. Temos que ser exigentes como as torcidas são com os clubes. Se formos todos exigentes, teríamos um futuro muito maior.

Abel destaca recuperação física e mental após sequência intensa

Ao falar sobre Vitor Roque e os jogadores que ainda buscam conquistar títulos pelo Palmeiras, Abel Ferreira voltou a defender o processo de trabalho desenvolvido no clube. O treinador reconheceu a frustração pelos resultados da temporada passada, mas ressaltou a conquista já obtida em 2026 e apontou o desgaste físico provocado pela sequência de partidas e pelas lesões.

Uma equipe que disputou até o fim no ano passado, e sei que a avaliação não é positiva porque não ganhamos. Sobre aquilo que é o processo, quando olho para 2020 e para hoje, cinco anos depois, vejo jogadores na nossa equipe. Nossa maior crise foi no ano passado, com três segundos lugares.

Este ano já ganhamos e queremos continuar a ganhar. Queremos muito. Talvez sejamos a equipe com mais jogos, e precisamos que todos estejam bem, não só fisicamente. O Vitor Roque vem de lesão, ficou quase quatro meses parado, assim como o Piquerez e o Lucas. O pós-Copa foi muito danoso, com muitas lesões.

Portanto, nessa pausa, fizemos duas coisas: recuperar física e mentalmente. Alguns jogadores, como o Paulinho, estão se recuperando, e precisamos ter muita paciência. E fica sempre aquela água na boca, fica sempre no limite.

Paulinho voltou a jogar e recebeu autorização para cobrar pênalti

Depois de voltar a ficar à disposição após problemas musculares, Paulinho participou da jogada que originou um pênalti, mas acabou desperdiçando a cobrança. Abel Ferreira explicou que só colocou o atacante em campo devido à vantagem construída no placar e falou sobre a necessidade de respeitar o tempo de recuperação do jogador, além de revelar que a decisão de deixá-lo bater foi tomada pelo próprio grupo.

Não vou mentir: se não tivesse o placar elástico, nem entraria. Se fosse uma questão de justiça, entraria o Felipe, mas, felizmente, o resultado foi elástico. Ele está treinando há muito pouco tempo, mas temos que colocar muito gelo. Sabe a cobrança, sabe tudo, e tenha a certeza de que, na cabeça dele, está o medo de se lesionar novamente.

E se lesionar? Qual o problema? Problema nenhum. Quem joga no limite, sempre no máximo, e é cobrado todos os dias, está mais próximo disso. Não tem que ter medo de se lesionar. Precisamos dar esse tempo. Se não tivesse o placar, ele não entraria.

Se me perguntam se eu achava justo ele bater o pênalti, conhecendo meus princípios e valores… Mas ele tem um grupo de amigos do cacete. Eles deixaram ele bater, foram eles que decidiram. Tem um grupo de homens do cacete. Ficou chateado que falhou, mas tem um grupo do cacete.