3 anos de solidão

3 anos de solidão

Foto: Danilo Martins Yoshioka

Poderia ser um livro do Gabriel Garcia Márquez. Poderia ser prêmio Nobel. Poderia ser um romance histórico. Poderia ser uma adaptação para o cinema. Poderia ser uma epopeia colombiana, mas é a triste história de uma sociedade que vive às escuras. ]

Que enclausurou seu povo há 3 anos. Exatamente no dia 23/10/2016, o Palmeiras enfrentava o Sport no Allianz Parque e dava mais um grande passo para a conquista do Campeonato Brasileiro daquele ano.

Naquela partida iniciou-se o cerco para torcedores em dias de jogos do Palmeiras no Palestra Itália.

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Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras

A ditadura da paixão doutrina o clube da resistência. Não se pode mais abraçar em gesto emocional para apoiar, a repressão ao afeto claro e límpido de incentivo. Nada pode. Ninguém pode. Não passa. Não entra. Não vai subir ninguém. Só quem paga. Quem gasta. Quem consome. Quem pode. Se teu bolso não estiver cheio, a porta não abre mais. Azar o seu. Lucro deles. Bolso cheio, coração vazio. Frio. Triste. Miserável.

A maquiavélica administração que cerceia o direito de amar. Põe catracas e cifrões no caminho livre entre uma cor e um torcedor. O Palmeiras é um cofre. Milhões de reais tentam preencher o vazio daquilo que há de mais nobre e admirável no esporte. É cavalaria, escudo, bomba, força. Deveria ser voz, fumaça, bumbo e paixão. Eles plantam violência, a gente só queria colher futebol.

O Palmeiras vive sozinho, jogando para muitos mil sortudos que pagam para vê-los, como um programa de cultura, e bate as portas no rosto de incontáveis de menos sorte que rodariam (e rodam) milhares de quilômetros, metros, ônibus, desaforos, desempregos e muito amor para tentar vê-los. Estupram o sentimento. A partida nasce morna. Quase morta.

Mil e noventa e cinco dias sem a melhor esquina do mundo. Vinte e seis mil horas sem corredor para pilhar meu time. Um milhão e seiscentos minutos sem sentir que o entorno venceria o jogo. Uma eternidade sem saber o que era o meu torcer. O que foi um pré jogo na Caraíbas. Sem rever o que sempre fomos, todos, os do verde. Eu morro de saudade por não mais poder viver de você, Parmera.

Devolvam, senhora da gravata, devolvam o clube a quem o fez. Devolva, omisso, pra nós o que você não consegue comandar. Não é só dinheiro, não é só status. Nunca foi. Não basta. O Palmeiras não existe sem sentimento. Italiano, cazzo. O mundo, a bolsa de valores ou o raio que o parta cabem a vocês. O Palmeiras, cabe a nós.

Liberem a rua. Libertem o Palmeiras.

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Foto: Futeboldecampo.net

  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.