Errar é humano, o ranço é pessoal.

Errar é humano, o ranço é pessoal.

(Foto: César Greco/Ag. Palmeiras/ Divulgação)

Eu errei. Assumo. Faz parte da profissão. Quem dá opinião sempre corre esse risco. Não acreditava que Luiz Felipe Scolari voltaria tão bem para o Brasil. Não acompanhei o seu último trabalho no futebol chinês. Mas não posso deixar minha opinião de outrora me cegar, apenas por orgulho ou ranço.

Felipão faz sim um ótimo trabalho nesta sua volta ao Palmeiras. O pentacampeão conseguiu rodar o elenco, deu oportunidades a alguns jogadores que estavam sem um pingo de confiança, e transformou um sistema defensivo falho em uma das zagas mais seguras do país.

Alguns colegas infelizmente ainda não conseguem admitir o bom início de trabalho de Scolari. Seja por ranço/ódio do 7 a 1, seja por orgulho, ou por pura torcida contra mesmo, não sei ao certo. A única coisa que sei é que quando você deixa uma mágoa pessoal te cegar, isso não faz nada bem para a análise. E quem sofre é o jornalismo.

Ah, mas o time do Cerro é fraco! (OK, fez a quarta melhor campanha da Libertadores).
Ah, mas sofreu para ganhar do Bahia. (OK, um time que cresceu após a Copa e vem dando trabalho para todo mundo no Brasileirão).
Ah, mas golear o Vitória no Barradão é obrigação! (Flamengo sofreu para vencer no Maracanã e Galo perdeu ontem na Bahia).

Chegou o Internacional. Vice-líder do Brasileirão. Invicto há 6 rodadas. Beira-Rio lotado. Felipão escala o Palmeiras com 9 reservas, o Alviverde domina o Colorado na primeira etapa, e sai com um 0 a 0 convincente. Se não fosse tantas oportunidades perdidas, a equipe de Scolari já poderia estar colada no Flamengo e no próprio Internacional na tabela.

Não dá mais para não enxergar o óbvio.

O trabalho de Felipão, Paulo Turra e sua comissão técnica é muito bom. O Palmeiras segue vivo e muito bem nas 3 competições que disputa. Se vai ser campeão ou não é outra história. Mas não dá mais pra duvidar do trabalho do treinador.

Qualquer coisa diferente disso é ranço. É raiva.

O lado bom de tudo isso é que o Felipão e o Palmeiras são moldados para brilharem na base da desconfiança. A história do clube e do próprio técnico, já pregou algumas peças que foram construídas neste mesmo cenário.

Felipão não sofreu somente o 7 a 1. Felipão também levou um 6 a 0 do Coritiba em 2011. Um ano depois conquistou a Copa do Brasil no mesmo palco, detonando todos os seus fantasmas.

Talvez esse ódio e descrença em torno de seu nome, foram os grandes motivos para que Luiz Felipe voltasse ao futebol brasileiro. O técnico precisa brilhar e buscar novas conquistas por aqui para exorcizar tamanha perseguição e aversão à sua história.

0 7 a 1 não será apagado nunca. Como suas conquistas também não. Errar é humano, Felipão.

  • Gabriel Amorim

    Gabriel Amorim

    Gabriel Amorim, 27 anos, detesta quem assiste ao jogo sentado e tem como grande ídolo Armando Nogueira. Formado em Jornalismo pela UMESP em 2012, cobriu a Copa do Mundo da Rússia pelo jornal Lance!