Foi melhor assim, Osmar

Foi melhor assim, Osmar

O dia começa no oeste da cidade de São Paulo. O sol brilha entre algumas poucas nuvens. Um morador da região, chamado Felipe, se levanta de sua cama, se olha no espelho, com os olhos ainda um pouco cerrados porém com uma felicidade diferente que é nítida em seu pequeno sorriso. Esfrega os olhos e vai preparar um café. Lê um grupo de whatsapp e comenta com seus amigos Jorge e Lucas sobre terem se dado bem na noite passada. A sensação é boa por ver a felicidade dos amigos. Todos lembram com alegria do ocorrido.

Do outro lado da cidade, o céu está um pouco mais nublado. O sol brilha tímido mas é hora de levantar. O cidadão que ali vive, conhecido por Osmar, tenta pedir mais cinco minutos em sua cama. A vontade de se levantar passa longe de seus pensamentos mas este é forçado por suas obrigações a sair de seu leito e ir preparar seu café. No caminho da cozinha, ouve um bom-dia de um parente já acordado e mal responde. A TV permanece desligada, o clima é de velório. A ressaca está brava e até à luz do dia incomoda. O sentimento é de que um trem passou em cima de seu travesseiro a noite toda e o som dos vagões sob os trilhos ainda continuavam a ecoar em sua cabeça dolorida “colocolocolocolo”.

Chegando na escola, na região da Avenida Paulista, Felipe e Osmar se encontram. Não pela vontade de Osmar, que mais preferia se esconder por conta da cara amassada. A turma toda doa ao colega porções com pequenos sorrisos de deboche, o que faz Osmar começar a se lembrar vagamente dos detalhes da noite passada e também se lembrar dos erros que poderia ter cometido. Em instantes, os vexames começam a vir à tona. Osmar, que já não vinha tendo tanta moral em sua roda de amigos ficou à noite toda tentando se aproximar de sua amada. Pobre dele, Jorge e Lucas envergonharam o pobre rapaz diante de todos os presentes. Os garotos ainda tentaram consolar o menino, que nem em sua casa estava sendo tão amado e que se encontrava de ressaca, dizendo que se este tivesse encontrado Felipe em uma dessas noites, a situação teria sido pior.

Felipe era conhecido por ser um dos valentões, havia repetido de ano em outra escola, era mais velho, mas sempre tinha sido um bom aluno. Era um amante antigo tentando voltar aos braços de sua amada, que ele tinha em comum com todos os outros citados, já que está era a mais desejada de todo o continente. O problema é que além de tudo, Felipe já possuía um passado marcado por envergonhar o tal do Osmar, ou uns familiares dele, não me lembro ao certo.
Bem, a verdade é que com Felipe no páreo, Osmar jamais teria a menor chance. Eu sei. Até Osmar sabia. Todos sabiam, bem lá no fundo.

Vai ser difícil para Osmar assimilar, mas uma hora vai perceber que acabou dando sorte. A noite foi triste, mas triste mesmo seria ter encontrado o tal do Felipe pela frente.

  • Marcelo Brandão

    Marcelo Brandão

    Marcelo Brandão, 23 anos, cursou Comunicação Social pela ESPM-SP. Fotógrafo por paixão e atacante raíz na várzea osasquense. Criador do ClickParmera no instagram e blogueiro palmeirense na ESPN.