O decampeão

Um a um com o campeão do Rio no Nilton Santos. Não é mau resultado para uma estreia. Mas era uma semana depois de ter perdido em casa o SP-18 para o Corinthians. Quatro dias depois de sofrer o empate no fim do jogo com o Boca. Parecia faltar algumas horas para o aporcalipse palestrino.

Não adiantava ser a melhor campanha da fase inicial da Libertadores logo depois de vencer o Boca na Libertadores. Quase 70% dos pontos ganhos em 2018. Os placares eram bons com Roger. Não o jogo. As boas ideias bem treinadas não davam liga como já não tinham dado Paulistão. Era capaz de vencer bonito o Grêmio no Sul e deixar o Ceará em crise empatar feio um jogo ganho no Nordeste. Parecia tudo perdido para o São Paulo no Allianz até a virada como sempre no tempo final.

Mas o apuro e o apito fatal seria de novo no Rio. Atuação deprimente, entrevista estranha do Roger que via “evolução”, e mais uma demissão no meio do Brasileiro. Abelão não tinha como aceitar. Felipão se aceitou de volta pelo nome e pela história.

Paizão pra arrumar a casa. Arrumou até o jardim, a rua, o bairro, a cidade. Ajeitou até o Brasil. Roger caiu quando o Palmeiras era sétimo, a 8 pontos do líder, depois de 15 jogos. Felipão assumiu num empate feio contra o América, escalando time sem seis titulares. Desde então seriam 14 jogos com times alternativos. Dez empates e quatro empates.

Assumiu a ponta com o time reserva. Nunca antes. Não perdeu mais superando a invencibilidade em pontos corridos. Nunca antes. Não ganhou as Copas possíveis. Mas fez o que parecia impossível. Ganhar o BR-18 sem contestação. Melhor ataque e defesa. Melhor em casa e fora dela. Sem obrigação que tentaram colar no Palmeiras. Sem consolação como tentaram cotovelar os que veem jogos com o fígado e com as línguas ofídicas.

O futebol tinha como ser melhor desde Roger. O jogo nem sempre foi bonito ou mesmo bom. Mas teve melhor? Maior, nem se compare. Os reservas foram tão campeões quanto os titulares. Provando que é ótimo ter elenco. Gente em qualidade e quantidade para ser Palmeiras.

O campeonato mais uma vez não foi bom. Mas o campeão pela décima vez desde 1959 só se contesta sem argumento ou por jumento. Não é o melhor campeão apesar da bela campanha. Não é o melhor Palmeiras campeão. Mas é um time que dá orgulho e alegria pelo que superou. Não ganhou o maior objetivo em 2018. Mas os que perderam parece que também não conseguiram o maior objetivo que era evitar o deca. O “hexa” como eles chamam brigando com os feitos ou brincando com o fax. Tanto faz. Porque quem tanto fez é nota dez.

Não foram vocês que perderam ou deixaram de ganhar um campeonato “fácil”. Foram os reservas de moral do Palmeiras que fizeram o BR-18 ser menos complicado.

  • Mauro Beting

    Mauro Beting

    Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 16 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV.