Omissão também é intolerância

Omissão também é intolerância

Se esse site se chamasse "O Palestra de vocês", vá lá, não viria aqui reclamar da falta de posicionamento do meu Palmeiras. Que também é de quem o amar, independente de onde venha ou que histórias carregue. A devoção é o único requisito para ser parte desse sentimento expansivo e agregador que é torcer. Nunca se destingue um estádio acalorado e barulhento pelo prisma de quem são essas vozes, mas o que elas, juntas, são capazes de fazer.

Eu lamento muito que o clube de duas nações, de mil cores e sabores se omita no dia em que todos declaram ainda mais sua força para naturalizar a diferença e unificá-las apenas como amor. Quem tem voz é quem mais pode ajudar quem sofre pela falta dela e pela falta de volume às suas causas. Que não são individuais ou muito específicas, elas são mera e grandiosamente humanitárias. Não é questão para análise, é uma condição sine qua non de vida.

O silêncio fala muito. E posicionamento não é um problema dessa administração que já tomou atitudes polêmicas com convicção. Porque no dia de combater à homofobia e a transfobia, de assinar essa carta aos intolerantes que ainda insistem, o clube se cala, se omite, se esconde e prefere se esquivar?

Porque pensa que não existem gays em sua torcida? Gente que tem medo de ir ao estádio, de confessar quem é porque corre o risco de ser mal recebido dentro de um estádio onde esse alguém só quer ser mais um a torcer? Porque não se posicionar ao lado dessas pessoas, Palmeiras? Compartilham da mesma paixão, sem qualquer, sem a mais remota diferença e que merecem que sua causa seja endossada, seja fortalecida e receba essa validação no meio do futebol.

Ações concretas são mais importantes? São e essas são ainda menos visíveis. Uma quase ilusão. E o que pode-se esperar de quem se recusa ao mínimo, a uma mensagem, a uma postura de miserável esforço? A grandeza de um clube vai muito, muito além de ser rico e super vitorioso.

É fundamental ter posturas humanas e agregadoras.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.