Professor de humanidade

Professor de humanidade

Foto: Marcelo Brandão

Sempre chamaram de pai. Do homem de uma família dentro do meio mais intenso e tenso que existe. Uma aura mística que parecia distante e circunstancial. Um momento em que a família era composta de um talento extraordinário. Um nível de capacidade enorme, ao ponto de caminhar com as próprias valências e sem a influencia direta de um líder.

Até poderia sobreviver. Mas há maneiras e maneiras de viver um grande jornada. Você não lê esse texto por plenas condições cognitivas. Houve um mestre. Houve alguém abençoado com o dom da palavra pra ensinar. Pessoas que estão por todos os cantos na missão carinhosa de dividir. Que fazem melhor, mais capaz, mais vivo. A história: há maneiras e maneiras.

Ninguém veio ao mundo para apenas manter-se vivo. Veio para se fazer visto. Precisamos de nortes para seguir. De gente que abrace a dificuldade, que acaricie na hora que tiver dando errado. Que vai fazer ouvir a pior bronca de todos os ouvidos. Vai machucar e fará refletir. Quando virar acerto, ele será seu primeiro elogio. Um professor é a pessoa cujo destino é mudar o destino das pessoas.

Ronaldo era incapaz. Ronaldinho, inconstante. Campeões do mundo.

Deyverson, um maluco, inconsequente, terrivelmente grosso. Dudu, vendido, desgastado, já era pra ter ido embora. Palmeiras, rico milionário, podre de dinheiro, pobre de espírito. Um time e vários caras que faziam um ano para sobreviver. Jogavam para manter respirando alguma esperança de dar certo. Um professor de ótimos conceitos e um bom coração. Faltava uma liderança humanitária. Os poderes que a mentalidade exerce no corpo vão muito além de uma data de nascimento.

Um pedido de resgate nos olhos desconfiados das pessoas dificilmente são vistos a olho nu(nca) acostumados a perceber. A humanidade de ensinar é um dom. Não falamos sobre resultados de um vestibular bem feito ou um campeonato ganho, mas sobre as maneiras de conduzir a jornada. De sentir prazer no fazer de cada um. De ver espalhar a alegria nos olhos marejados de quem pôde dedicar uma felicidade com outro alguém que vê com o coração.

Professor, o dia é seu. O dia é da sua imensa capacidade de humanizar a fortuna de bloqueios que existe no futebol. O final da jornada não pertence ao nosso controle, mas a gratidão pelo caminho que temos seguido, sim. Pela satisfação em parar dez minutos e, em palavras, demonstrar a felicidade em tê-lo como líder, como nosso autêntico professor.

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  • João Gabriel

    João Gabriel

    De família italiana e tipicamente alviverde, é de São Manuel, interior do estado. Se formou em Jornalismo pela USC/Bauru e é pós graduado em jornalismo esportivo pelo IPOG/SP.