O Palmeiras devolveu com juros e correção futebolística a tumultuada derrota por 2 a 1 uma semana antes, em Porto Alegre. O time de Mário Travaglini perdeu cinco jogadores expulsos na partida de ida da semifinal da Taça Brasil. Quatro deles por reclamação de impedimento no gol de Joãozinho.

Não havia suspensão automática. Os cinco foram a campo na revanche no Pacaembu. E o Palmeiras respondeu na bola: 3 a 1. Resultado que levaria à realização da terceira partida, também no Pacaembu, dois dias depois. Com vantagem de empate para o Palmeiras, depois da prorrogação, pelo saldo melhor no confronto.

Apesar de problemas no gramado no Olímpico e também nas tribunas com cartolas alviverdes, os dirigentes palmeirenses recepcionaram a delegação gaúcha no aeroporto de Congonhas e ofereceram um jantar no restaurante Locanda. O Grêmio vinha muito confiante. Conquistara o hexacampeonato gaúcho três dias antes da vitória por 2 a 1 na Taça Brasil. Tinha Alcindo (da Seleção na Copa-66) e Everaldo (titular do Brasil na Copa de 1970). E jogava pelo empate em São Paulo.

Mário Travaglini tinha dúvidas até a hora do jogo. Mas não pretendia usar o esquema mais cauteloso com Zequinha na cabeça da área. Queria escalar uma equipe mais próxima de um 4-2-4. Foi o que fez. César foi mantido na ponta-direita, cortando bastante como centroavante. Servílio faria a dele, como meia-atacante, mas chegando bastante em Tupãzinho, mais uma vez como centroavante. Cardosinho voltava ao ataque, depois de lesão. Mas na ponta-esquerda.

Jair Bala estava lesionado. Valdir e Djalma Santos eram reservas desde novembro.

O Grêmio repetiu a mesma equipe do Olímpico. Só que num 4-4-2, com apenas Alcindo e Volmir na frente. Mas não bisou o desempenho. Aos 17 minutos já estava 1 a 0 Palmeiras. Ferrari converteu o pênalti muito discutível em Servílio não cometido por Paulo Sousa, mas marcado por Airton Vieira de Morais, apelidado de Sansão (o mesmo árbitro da não menos polêmica partida de ida). Ademir da Guia organizou o campeão do Robertão-67 para imprensar o Grêmio. Servílio encostou bastante em Tupãzinho, com César e Cardosinho bem abertos. Era praticamente um 4-2-4.

Cardosinho vivia grande fase. No primeiro lance, aos 5, quase abriu o placar, depois de passar por três. Raspou a trave aos 15, depois de outra ótima finalização de longe de Dudu, aos 10. O Palmeiras mandava no clássico. Ainda assim o Grêmio quase marcou, aos 16, depois que Pérez largou bola fácil aos pés do artilheiro Alcindo. Minuca salvou o gol certo.

O pênalti de Ferrari abriu o Grêmio. O Palmeiras seguiu mandando até ampliar, aos 37, em belo toque de Tupãzinho, depois de grande tabelinha com Servílio. Aos 41 outro belo gol; Ademir, Servílio, Tupãzinho pela direita, César aproveitando o cruzamento e a troca incessante de posições na frente. 3 a 0 Palmeiras.

Na segunda etapa, com o jogo-extra dois dias depois parecendo inevitável, o Palmeiras resolveu se poupar. O Grêmio se abriu e atacou no 4-2-4. Mas só diminuiu aos 29 por falha de Baldocchi e Pérez, que foram na mesma bola. Joãozinho aproveitou a hesitação e fez o único gol gaúcho.

No final da partida, repetindo a baixaria vista no Olímpico, torcedores do Palmeiras jogaram de tudo no banco gremista. O treinador Carlos Froner só não jogou um banquinho de volta por ter sido contido. Saindo do gramado, empurrou um radialista. Antes de a bola rolar, o árbitro Sansão deu uma espécie de volta olímpica no gramado inspecionando a situação. Além de vaiado e chamado de “ladrão” pela má atuação no Sul, recebeu um rojão que passou perto dos pés dele (e nada fez e nem relatou – fogos de artifício estavam proibidos nos estádios). Mandou seguir o jogo que demoraria a iniciar porque ele queria retirar repórteres e fotógrafos atrás das metas. Só foi convencido depois de algum tempo por Paulo Machado de Carvalho, o Marechal da Vitória, que daria nome ao estádio do Pacaembu.

Tupãzinho, Servílio, Ademir, Dudu e Cardosinho foram os melhores palmeirenses. Com a vantagem de dois gols, o Palmeiras jogaria dois dias depois pelo empate – na prorrogação – para ser finalista da Taça Brasil (eliminando assim o critério de sorteio na moedinha se houvesse empate no tempo normal e também no tempo extra).

PALMEIRAS 3 X 1 GRÊMIO (segundo jogo semifinal da Taça Brasil-67

Data: quarta-feira, 13/dezembro (noite)

Pacaembu

Juiz: Aírton Vieira de Moraes (SP)

Renda: NCr$ 60 902

Público: 17 621

PALMEIRAS: Pérez; Geraldo Scalera, Baldocchi, Minuca e Ferrari; Dudu e Ademir da Guia; César, Servílio, Tupãzinho e Cardosinho (Lula) . Técnico: Mário Travaglini

GRÊMIO: Arlindo; Altemir, Paulo Sousa, Áureo e Everaldo; Cleo e Sérgio Lopes; Babá, Joãozinho, Alcindo e Volmir. Técnico: Carlos Froner.

Gols: Ferrari 17, Tupãzinho 36 e César 39 do 1º; Joãozinho 30 do 2º

 

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Mauro Beting
Mauro Beting é comentarista do Esporte Interativo e da rádio Jovem Pan, blogueiro do UOL, comentarista do videogame PES desde 2010. Escreveu 16 livros, e dirigiu três documentários para cinema e TV. Curador do Museu da Seleção Brasileira, um dos curadores do Museu Pelé. Trabalhou nos jornais Folha da Tarde, Agora S.Paulo e Lance!, nas rádios Gazeta, Trianon e Bandeirantes, nas TVs Gazeta, Sportv, Band, PSN, Cultura, Record, Bandsports, Foxsports, nos portais PSN, Americaonline e Yahoo!, e colaborou nas revistas Placar, Trivela e Fut! Lance. Está na imprensa esportiva há 27 anos por ser torcedor há 50. Torce por um jornalismo sério, mas corneta o jornalista que se leva muito a sério.