
A Copa Libertadores de 1999 colocou Palmeiras e Corinthians na mesma chave, como mandava o regulamento na época, ao lado dos paraguaios Olimpia e Cerro Porteño. A estreia do Verdão foi em um Dérbi em que Marcos, o protagonista daquela conquista meses depois acompanhou do banco de reservas.
Filme repetido
Depois das três primeiras rodadas – vitórias no clássico e Cerro e revés para o Olimpia – Velloso se machucou durante um treinamento na Academia de Futebol. Uma lesão muscular com longo prazo de recuperação. Assim como 1996, a lesão abriu espaço novamente para Marcos, mas desta vez ele não saiu mais da meta palmeirense.
‘Bomba atômica’
Preparador de goleiros, Carlos Pracidelli, recorda a conversa com Felipão antes da escolha por Marcos, justamente antes de um Palmeiras e Corinthians, ainda pela fase de grupos da Libertadores.
– Felipão, nós temos aí a contusão do Velloso. Eu sei que ele não vai poder retornar e o que eu posso dizer para o senhor é que o senhor tem uma bomba atômica na mão pronta para explodir. Ela é o Marcos. Ele olhou para mim, o Marcos para a Libertadores? Eu falei sim, ele só tem que jogar, é a minha opinião. Temos também o Sérgio, um goleiro fantástico, super experiente, mas na minha opinião, nesse momento, é o Marcos quem mereceria essa oportunidade, mesmo sendo a Libertadores e mesmo sendo o título mais importante par o Palmeiras – relembra Pracidelli, ao NOSSO PALESTRA.
Confiança do chefe
A opinião de Pracidelli foi levada em consideração por Felipão e a escolha veio para partida contra o maior rival.
Tinha o Sérgio, tinha mais um outro menino (Marcelo Moreira) e vinhamos dando oportunidade a todos os goleiros. Mas o Marcão era o que mais se sobressaía e que merecia a oportunidade, já começou em 1998 (na Copa Mercosul), ele se preparando para aquela Libertadores de 1999 – comentou Felipão, ao NP.
Como assim, Marcos?
Depois da lesão de Velloso, a Parmalat, então patrocinadora do Palmeiras, perguntou a Felipão e a Pracidelli qual o substituto eles gostariam para ocupar a titularidade no restante do torneio, porém a resposta pegou os dirigentes de surpresa.
– Nos perguntaram qual o goleiro que ele queria para a sequência da competição. O Felipão respondeu que não ia precisar. Na época, os dirigentes do Palmeiras, os dirigentes da Parmalat, até estranharam, mas como? Nós temos o titular machucado – diz Pracidelli.
Marcos atuou nas três partidas seguintes pela fase de grupos, o Palmeiras avançou, eliminou o Vasco nas oitavas de final e reencontrou o rival, desta vez na fase de mata-mata.
“Ele era aquele Marcos que vocês conhecem aí, agitado. O Marcos que brigava, que dava aos colegas uma palavra de carinho, uma palavra de incentivo, de força, e sempre queria fazer o melhor, e sempre queria colocar algo diferente para que a gente conseguisse a vitória. O Marcos é aquele jogador que todo treinador gostaria de ter num time, não só apenas como goleiro, mas todos os outros jogadores que fazem parte, porque tem espírito, vontade”
Felipão, sobre a postura de Marcos antes dos Dérbis
Santificado no Dérbi
A noite de 5 de maio de 1999, data do jogo de ida das quartas de final é a partida em que Marcos entra para a história da Sociedade Esportiva Palmeiras. Com uma atuação impecável, ele é o principal responsável pela vitória por 2 a 0.
– O jogo que vira Santo, curiosamente, é o jogo que o Palmeiras ganha, né? Muita gente acha que o jogo que virou Santo foi o 2 a 0 para o Corinthians, que foi um jogo nervosíssimo – comenta Paulo Vinícius Coelho, o PVC. Na partida de volta, o Santo faz um milagre ao pegar o pênalti de Vampeta, Dinei bate para fora e o Palmeiras se classifica para pegar o River Plate.
“Infelizmente o Velloso se machucou e aí é onde começa a história realmente do Marcão, mostrando a sua qualidade imensa. Tanto eu como o Rogério fomos premiados com os gols na vitória. É o São Marcos, como ficou sendo reconhecido”
Oséas, autor de um dos gols no Dérbi em que Marcos virou Santo
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